SEREMOS POTÊNCIA MUNDIAL UM DIA? PARTE 1

SEREMOS POTÊNCIA MUNDIAL UM DIA? PARTE 1

Facebook
WhatsApp
X
Threads

André Davi Martins é Tenente da Polícia Militar, escritor, professor de tiro e mediador de conflitos do Cejusc.

O tempo passa e as notícias sobre nosso amado país surgem aos borbotões, sempre negativas, colocando em prática o ditado que diz: “Nada é tão ruim que não possa ser piorado”.

Seguimos ladeira abaixo em alta velocidade, com a dívida pública em 10 trilhões, educação aos frangalhos, IDEB despencando, legiões de adolescentes saindo do ensino médio analfabetos funcionais, segurança pública em total falência, com o crime organizado assumindo postos cada vez mais importantes, com o fortalecimento dos criminosos e o enfraquecimento das forças policiais.

Enquanto no Rio de Janeiro se apreende mais fuzis que no Iraque, a população daquele estado está esgotando ingressos de R$ 15.000,00 para verem o carnaval na Sapucaí.

Deputados que foram flagrados com dólares na cueca sendo alçados ao comando de comissões de segurança. Ministro da economia que deu entrevistas dizendo que colou na faculdade na matéria de economia.

Ministro da justiça que em dois anos não propôs absolutamente nada para melhorar sua pasta.

Os escândalos se repetem. Se antes era o mensalão ou petrolão, com Dilma Roussef, enquanto presidente da Petrobrás, comprando uma refinaria sucateada em Pasadena/EUA, por 1,2 bilhões de dólares, que depois foi vendida por 560 milhões de dólares, com zero pessoas punidas.

Se antes tivemos a lava jato, com dezenas de empresários confessando o desvio de centenas e centenas de milhões de reais, com efetivas devoluções de valores em troca de redução de penas, com Lula sendo condenado a 11 anos de prisão em 3 instâncias, com o ex-governador do Rio Sergio Cabral sendo condenado a 450 anos de prisão e, de repente, puf, tudo foi por água abaixo, com uma simples canetada do STF, que declarou que o foro era inadequado, e todas as provas eram nulas. Todos soltos, todas as condenações anuladas.

Se antes tivemos ministro do STF sendo padrinho de casamento da filha de empresário do Rio de Janeiro, responsável pelo transporte de quase todo o estado e, ao ter mandado de prisão expedido contra si, recorreu ao STF e por milagre divino, o caso caiu nas mãos do mesmo ministro, padrinho de casamento de sua filha, que prontamente lhe concedeu o HC, ou o caso de outro ministro que foi caluniado por um deputado, instaurou inquérito, ouviu testemunhas, realizou o julgamento e condenou o deputado.

Se no passado tivemos estes episódios, eles se repetem, com a descoberta do escândalo da previdência, em que sindicatos autorizavam o desconto indevido de empréstimos dos aposentados, que gerou prejuízo estimado em mais de 9 bilhões de reais, ou o caso banco Master, que tentou vender uma carteira inexistente e fraudulenta de 12 bilhões de reais a outro banco, BRB, que não tendo conseguido a compra, solicitou recuperação judicial na semana seguinte, com ministro do STF figurando como sócio de empreendimentos deste mesmo dono de banco, com esse mesmo ministro do STF sendo filmado recebendo o dono de outro banco em resort da família e, quando o processo chega ao STF, seja feita a distribuição, por uma incrível coincidência, caia na mesa do mesmo ministro, que tem agora a incumbência de investigar o fato.

No caso da previdência, o governo se prontificou a ressarcir os prejuízos dos aposentados. No caso do banco Master, o FGC – Fundo Garantidor de Crédito, vai também indenizar os prejuízos. Serão 21BILHÕES de reais que sairão dos cofres públicos, deixando assim de serem empregados em saúde, educação, saneamento básico, segurança, etc…

Enquanto isso, a preocupação da grande parcela da população é se a Virgínia está ou namorando o Viny Júnior, quem está no BBB 26 ou qual jogador o Flamengo irá apresentar.

Escândalos que se repetem. A falta de coragem para investiga-los, idem.

Os partidos PT e PSOL votaram contra a criação de CPMI para investigar os escândalos da previdência e do banco Master

Como entender que uma empresa estatal, que teoricamente não tem concorrentes, como os Correios, conseguem acumular prejuízo de 10 bilhões?

Como entender que a imprensa, ao anunciar a queda histórica do desemprego, se exima de explicar que só entra na estatística de desempregados quem efetivamente está procurando emprego, e atualmente temos 59 milhões de pessoas no programa bolsa família, um quarto da população do país, e a metade dos eleitores, que não entraram nas estatísticas?

Como entender o corte nas verbas para a educação, notadamente para as universidades federais, enquanto para a cultura houve o incremento de verbas? Apenas a lei Rouanet previu a renúncia fiscal de 9,2 billhões em 2024 e 2025, em prol da cultura.

Enquanto a economia vive este momento nefasto, com a consequente falência e fechamento de centenas de empresas e empregos, na área da segurança não vemos perspectivas animadoras, com o aumento de mortes no trânsito, diminuição das punições para homicídios ao volante, ou embriaguez ao volante.

Ainda na área do trânsito, é inegável a constatação de medidas populistas e eleitoreiras sendo tomadas, como a eliminação da obrigatoriedade de aulas práticas em autoescolas, ou a eliminação da baliza no teste prático para a aquisição da CNH, ou ainda a promulgação da resolução do CONTRAN que criou a categoria dos autopropelidos, veículos elétricos que foram equiparados às bicicletas, ou seja, não há absolutamente nenhuma obrigação do condutor como ser maior de idade, ou possuir CNH, ou usar capacete, ou conhecer regras de trânsito, zero, nada.

Pessoas presas com 80 quilos de cocaína sendo soltas pelo fato do juiz de 1ª instância entender, na audiência de custódia, que não havia fundada suspeita para o policial abordar o veículo.

Pessoas com dezenas e dezenas de processos cumprindo pena em liberdade.

Lei que colocou fim na progressão de pena sendo descumprida pela justiça.

Crimes de transito sem punições. Embriaguez ao volante sendo contestadas na justiça, já que a maioria dos juízes não aceitam o teste do etilômetro, e o condutor não é obrigado e doar sangue, já que estaria produzindo provas contra si próprio.

Enquanto nosso governo insiste em fazer campanha eleitoral antecipada, com estas medidas, nosso país patina no mesmo lugar, sem nenhuma perspectiva de melhora.