A SOCIEDADE NÃO ESTÁ EVOLUINDO

A SOCIEDADE NÃO ESTÁ EVOLUINDO

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André Davi Martins é Tenente da Polícia Militar, escritor, professor de tiro e mediador de conflitos do Cejusc.

Diante do cenário de guerra no oriente médio, é inevitável voltarmos nossas atenções para aquela parte do planeta, seus costumes, tradições e religião.

Ao traçarmos um paralelo sobre o modo de vida daqueles povos e os nossos, me pego fazendo uma análise mais profunda.

A sociedade, como a conhecemos, teve seus primeiros registros há cerca de 6 mil anos. Povos que viviam na Mesopotâmia, onde hoje é o Irã e Iraque, Sumérios, Egípcios. A civilização então se iniciou nestas regiões: Irã, Iraque, Paquistão, Índia e África (Egito).

Será que estes lugares, os mais antigos do mundo, os que tiveram mais tempo para evoluir, evoluíram?

Não. São exatamente os mais radicais, os mais atrasados, os que tratam mulheres como objetos, como propriedades, que permitem o casamento com meninas de 9 anos, que fomentam e incentivam a violência como forma de controle, que enforcam homossexuais em praça pública, que apedrejam mulheres adúlteras na rua, que espancam as mulheres que são surpreendidas sem o hijab em locais públicos.

Lixo por todo lado, inexistência de saneamento básico, de escolas, de direitos. Radicalismo ao extremo, a religião, que devia unir, segrega.

Pessoas são executadas ou espancadas por não professarem esta ou aquela religião. Não há infraestrutura ou escolas, mas há um enorme exército, bombas atômicas, etc.

Do outro lado, quando olhamos alguns dos países mais evoluídos, percebemos que não são tão antigos assim. Os países com mais IDH são: Islândia, Noruega, Suiça, Dinamarca, Alemanha e Suécia.

O IDH é medido pela expectativa de vida, escolaridade, renda, respeito às leis, entre outros.

O brasil ocupa a posição 84 entre os 193 países pesquisados. Os últimos no ranking são: Sudão, Somália, Chade, Niger, Mali, Afeganistão, Libéria.

A série da Netflix chamada “VIKINGS” mostra a vida e as aventuras dos nórdicos, povos que habitaram a Noruega, Dinamarca e Finlândia, lá pelos anos 800 e 900 da era cristã.

Grandes navegadores e exímios construtores de barcos, suas aventuras consistiam em invadir países vizinhos onde implantavam o terror.

Com suas espadas e machados de ferro (ainda não conheciam o aço), matavam sem piedade homens, mulheres e crianças, cortavam cabeças sem remorsos, saqueavam, estupravam, pilhavam tudo que havia de valor, colocavam fogo nas habitações e ainda levavam prisioneiros, que vendiam como escravos.

A série retratou a invasão a diversas cidades da Inglaterra como York e Wessex, de Paris, na França, e da ilha da Sicília, na Itália.

Somente a invasão e cerco a Paris, feita com 120 barcos e aproximadamente 5 mil guerreiros, rendeu a Ragnar Lodbrok um pagamento de duas toneladas e meia em ouro e prata, para ele desistir do ataque e retornar ao seu país.

Eles eram bárbaros, não conheciam a escrita ou a religião cristã, nada sabiam sobre os ensinamentos de Jesus, veneravam diversos Deuses como Thor e Odin, não levavam muito a sério a monogamia, faziam inúmeros acordos e com a mesma facilidade os desfaziam, os quebravam ao sabor dos interesses, notadamente quando havia possibilidade em levar alguma vantagem. O inimigo de hoje era o aliado de amanhã.

Traçando um paralelo desta época para o tempo atual, pergunto:

O ser humano evoluiu?

Depois de analisar o comportamento daquelas pessoas que viveram em uma época em que não havia a escrita, luz elétrica, medicamentos, correspondências, meios de transportes, escolas, igrejas acessíveis (as missas eram rezadas em latim e a leitura da bíblia, onde a religião existia, era proibida aos cidadãos comuns, apenas os religiosos tinham acesso a ela), nem a pólvora era conhecida, após analisar o comportamento humano deles e o nosso:

Passados quase 6 mil anos, após tantas mudanças, tantos avanços em todas as áreas, será que o ser humano está melhor? Será que temos mais compaixão? Temos mais amor ao próximo?

Concluo que não! Vejo com tristeza que não evoluímos nada.

O ser humano continua individualista, mesquinho, egoísta e radical. Em pleno século XXI, ainda temos países invadindo países, governantes se prevalecendo do tamanho do seu exército para “ditar” regras no planeta, pessoas que fazem um determinado favor pensando em como poderão se beneficiar lá na frente.

O poder sendo perpetuado, baseado em alianças traçadas nos ressortes, nos porões, ou pubs, regados a uísque Macallam, ou em salas acarpetadas na capital federal.

O amor, ah o amor… Se na época dos bárbaros os casamentos eram arranjados, sentimentos eram sufocados, maridos e esposas se uniam ao sabor dos interesses dos pais, mulheres eram sequestradas, como está hoje?

Alguém poderá dizer: a evolução se dá com o passar do tempo e eu digo que não! Temos países super desenvolvidos com menos de 300 anos, como Estados Unidos, e temos países muito pobres, com mais de 3000 anos de existência, como Índia e Egito.

O berço de nossa civilização moderna, o continente Africano, até hoje enfrenta toda sorte de pobreza, desigualdades sociais, ditadores a 30, 40 anos no poder, que andam em frotas de veículos cravejados de diamantes ou banhados a ouro, possuem dezenas de aviões, enquanto sua população morre de fome e? E nada.

A percepção do que é certo ou errado ainda não está plenamente arraigada dentro de cada um.

Na atual crise no oriente médio, soubemos que o governante do Irã, Ali Khamenei, morto pelos ataques americanos, foi alçado ao cargo de líder através de um golpe, se mantinha no poder há 37 anos, incentivando o estupro de jovens presas antes de serem enforcadas em praça pública, já que a sua religião não permite o enforcamento de virgens, incentivava o casamento com crianças, mandava enforcar dissidentes e homossexuais em guindastes, em praças públicas, reprimiu os protestos contra seu governo com munição real, causando 50 mil mortes, emprestou gás sarim ao presidente da Turquia Bashar al Assad, que usou o produto na sua própria população civil, vendia drones com explosivos à Russia, que os utilizava em ataques a civis na guerra com a Ucrânia.

Espero que daqui a mais mil e duzentos anos, quando fizerem um paralelo entre nossa civilização atual e a deles lá no futuro, concluam que houve progressos, que nos tornamos pessoas melhores, com Deus no coração, com mais vontade de ajudar os menos favorecidos.