Entre o Dia Nacional da Recreação (12/09) e o Dia Mundial do Alzheimer (21/09), neurocientistas e educadores explicam por que treinar a mente cedo pode render a vida inteira e o que a ciência realmente sabe sobre isso
Setembro é um mês marcado pelo cuidado com o cérebro em diferentes fases. Marcado pelo Setembro Lilás, o mês também nos lembra da importância da brincadeira para o desenvolvimento infantil por meio do Dia Nacional da Recreação, celebrado no último dia 12. As duas datas concentram duas pontas de uma mesma história: a do cérebro que se desenvolve e a do cérebro que envelhece. Para especialistas em estimulação cognitiva, o elo entre elas é um conceito simples: a “poupança cerebral”. E a mensagem que eles levam neste mês de conscientização é direta: quem quer envelhecer bem deveria começar a se preparar na infância.
O que é a “poupança cerebral”
A ideia é comparar o cérebro a uma conta em que cada experiência nova é um depósito. Aprender a ler, calcular de cabeça, tocar um instrumento, resolver problemas, conviver com pessoas diferentes — tudo isso são depósitos. Quem acumula mais depósitos ao longo da vida tende a chegar à maturidade com mais recursos para lidar com as mudanças naturais da idade.
Os pesquisadores fazem uma ressalva importante: trata-se de uma associação observada pela ciência, não de uma garantia. Nenhum hábito, sozinho, impede doenças como o Alzheimer. O que os estudos mostram é que manter o cérebro ativo ao longo da vida está ligado a um envelhecimento mais saudável.
Por que começar na infância?
A ciência é clara em um ponto: o cérebro permanece capaz de aprender e se reorganizar em qualquer idade, mas na infância essa capacidade é mais intensa. É nos primeiros anos que o cérebro mais se remodela a partir das experiências, o que torna a fase escolar um período estratégico para formar hábitos cognitivos.
Os exemplos práticos estão no cotidiano: a criança que aprende a calcular mentalmente, que é desafiada a raciocinar, que brinca com jogos de lógica e que convive com estímulos variados está, sem saber, construindo sua poupança cerebral.
“Nessa fase, o que mais impacta na forma como a gente começa a se relacionar com o mundo são os estímulos recebidos. Quando criança, tudo serve de estímulo: brincar, ouvir música, explorar novos sons, texturas e até cores ajudam a fortalecer essas conexões. E quanto mais estímulos positivos e variados, melhor”, esclarece a neurocientista Livia Ciacci, que é parceira do Supera- Estimulação Cognitiva.
O que a ciência já comprovou
Um dos exemplos mais estudados é o treino de cálculo mental com ábaco. Pesquisa publicada no Journal of Neuroscience, com 144 crianças acompanhadas desde a entrada no ensino fundamental, mostrou que o treino melhora o cálculo mental e a memória de trabalho visuoespacial — habilidades que sustentam o raciocínio e a atenção.
Os pesquisadores, porém, são cautelosos quanto ao que se pode prometer: os ganhos aparecem com mais consistência nas habilidades diretamente treinadas pela estimulação cognitiva estruturada, tais como memória, atenção, raciocínio lógico e funções executivas.
Um tema que atravessa gerações
O tema ganha relevância em um país que envelhece rápido: segundo o IBGE, 16,6% da população brasileira já tem 60 anos ou mais (2025). Ao mesmo tempo, o segmento de educação complementar — que inclui desenvolvimento cognitivo — cresce no orçamento das famílias, segundo dados da ABF, que apontam o franchising brasileiro com faturamento de R$ 149 bilhões no primeiro semestre de 2026.
“Quando falamos em envelhecimento saudável, a conversa quase sempre começa na velhice, mas ela deveria começar no berçário. O cérebro da criança está em plena construção, e cada desafio, cada brincadeira que exige raciocínio, é um depósito na poupança cerebral que vai acompanhá-la a vida inteira. Não é promessa de prevenção de doença, é ciência: o cérebro que é estimulado cedo chega mais preparado à maturidade.'”, explica Patrícia Lessa, diretora pedagógica do Supera – Estimulação Cognitiva.
O que é o Supera?
O Supera é uma empresa educacional de estimulação cognitiva brasileira, sediada em São José dos Campos e com mais de 250 unidades em todo território nacional.
Assessoria de Imprensa Supera