André Davi Martins é Tenente da Polícia Militar, escritor, professor de tiro e mediador de conflitos do Cejusc.
Estamos acompanhando atentamente, ou pelo menos deveríamos estar, a tramitação, no Congresso, da proposta que muda o regime de trabalho dos brasileiros de 6 x 1 para 5 x 2, sem qualquer compensação para o empregador.
Dentro deste viés, vamos seguir analisando este tema, para tirarmos nossas conclusões.
Vivemos desde 2000, com raras exceções, em um país governado por um regime de esquerda, que acredita em alguns princípios:
Redução das desigualdades sociais e econômicas pela forte intervenção do Estado na economia. Implementação de amplas políticas públicas de bem-estar social, garantindo educação, saúde e direitos trabalhistas para toda a população, nivelando as classes sociais, eliminando as desigualdades. Premissa central de que a liberdade só é verdadeira quando todos têm oportunidades e condições de vida dignas, combatendo privilégios e a concentração de renda.
O Estado é visto o regulador, capaz de proteger os cidadãos das falhas do livre mercado e garantir serviços públicos de qualidade, apoiando pautas que promovem a inclusão de minorias, e a defesa dos direitos humanos, acompanhando as mudanças sociais.
Esta teoria, seguida por todos os regimes de esquerda, é perfeita. Pena que nunca deu certo em nenhum país do planeta.
Se imaginarmos que o governo precisa de dinheiro para financiar todos os gastos, seja com a máquina pública, seja em educação, segurança, saúde, forças armadas, construção e manutenção da malha viária, etc. Se imaginarmos que este dinheiro entra nos cofres públicos através dos impostos recolhidos. Se imaginarmos que os impostos são recolhidos pelos cidadãos comuns e pelos empresários, que fornecem empregos, geram divisas, produzem riquezas, insumos, plantam, colhem, fabricam.
Sendo assim, somos obrigados a concluir que, sem os empregadores, não haveriam empregados, ou seja, os empresários, empregadores, produtores, construtores, atuam em duas frentes: Efetivamente na construção e fabricação, gerando os impostos e, em um segundo plano, na fomentação dos empregos, que proporcionam aos empregados o sagrado direito de irem em busca de seu sustento, e de sua família.
É uma troca, um acordo implícito que existe desde a época das pirâmides, onde o trabalhador entrega sua força, seu tempo, sua energia, em troca de um soldo, um salário, que a permita a sua sobrevivência e de sua família.
Se há um equilíbrio, ou pelo menos deveria haver, entre o empregador e o empregado, entre o empresário e o trabalhador, já que um precisa do outro, por que então o governo atual insiste em tratar os empresários, empregadores, como criminosos cancerígenos escravizadores, e a outra parte, a dos trabalhadores, empregados, como vítimas de um sistema escravocrata?
Por que, no Brasil, quem paga impostos, gera divisas, dá empregos, dá oportunidade do trabalhador colocar o pão na mesa da família, é duramente criticado, tratado como um demônio escravizador, que precisa de freios, enquanto o estado, que te arranca o couro, que te toma impostos da hora que você acorda até a hora que vai dormir, que emprega mal o dinheiro que arrecada, que não investe em educação, transporte, segurança, saúde, que insiste em controlar tudo e não dar conta de nada, deixando estatais que não possuem concorrência falirem, é aplaudido pela classe operária? Como entender isso?
Se formos buscar na história, encontraremos um ditado atribuído ao ditador russo Josef Stalin que, em uma reunião, teria agarrado uma galinha e arrancado todas as suas penas, e em seguida a soltado para, logo em seguida, jogar milho no chão, e ver a galinha, sangrando e sem penas, se aproximar e comer, tendo ele dito: “Arranquem tudo de qualquer pessoa, e em seguida lhe dê migalhas, e ele voltará, submisso e obediente”.
Por que temos que deliberar sobre tudo, engessar tudo, definir todas as regras, sem deixar qualquer margem para a livre negociação?
Por que nos EUA, maior potência econômica mundial, não há qualquer regra que impeça o livre acordo entre patrão e empregado?
Particularmente falando sobre esta proposta para os trabalhadores, penso que ela terá o efeito contrário.
Assim que for aprovada, causando enorme ônus aos empresários, já fragilizados pela alta carga tributária e alta demanda de ações trabalhistas, estes irão enxugar custos, adivinhem onde?
Já prevejo supermercados, que hoje possuem 15 caixas com pessoas e 2 caixas autônomos, onde o cliente passa suas compras, paga e vai embora, invertendo esse número, e colocando 15 caixas autônomos e 2 caixas com pessoas. Já prevejo os pedágios deixando de aceitar dinheiro, substituindo o funcionário humano por um totem com as opções débito, crédito e pix. Já prevejo os postos de combustíveis copiando o modelo americano, onde o cliente para seu veículo, vai até a bomba, abastece, paga e vai embora, sem a interferência de qualquer ser humano, monitorado por câmeras.
Resumindo, teremos mais desemprego, mais pessoas incapazes de se sustentarem, inseridas e mais e mais programas sociais, aplaudindo o governo federal, dizendo no final: “Que bom que o governo federal veio nos salvar do desemprego”.