14 de agosto de 2026

ESTAMOS PRONTOS?

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André Davi Martins é Tenente da Polícia Militar, professor de tiro e mediador de conflitos do Cejusc.

Chegamos finalmente na época da vida já prevista anteriormente em muitos filmes de ação que, quando foram lançados, achávamos que era pura fantasia e exagero.

No filme Exterminador do Futuro, uma inteligência artificial se apossava de todos os sistemas de segurança do planeta, fazendo com que todas as máquinas se rebelassem contra a raça humana. Agora em 2026 a imprensa divulgou a notícia de uma inteligência artificial que, para buscar uma informação solicitada, tomou a iniciativa própria de invadir sistemas vizinhos, buscar a informação solicitada, de forma totalmente autônoma.

A fabricante de aviões brasileira EMBRAER já entrou em fase de testes do primeiro veículo elétrico voador do país. Parecido com um drone, tem a cabine semelhante a de um helicóptero, com espaço para 4 passageiros e 1 piloto, 8 hélices, autonomia para voar 100 km, com previsão de lançamento para 2028.

Atualmente, qualquer aparelho celular é capaz de fazer chamada de vídeo, envolvendo várias pessoas, tecnologia impensável há poucos anos atrás.

As reuniões virtuais, também corriqueiras, era fantasia até bem pouco tempo.

Tudo acontece muito rápido, tudo é para ontem, virou obrigação, ser bem-sucedido virou dever.

A internet permite comprar e vender de tudo, de forma instantânea. Compramos o que não precisamos, com o dinheiro que não temos, para impressionar quem não conhecemos.

As redes sociais escravizaram seus donos. Expor a rotina e os passos virou obrigação.

No meio de tudo isso, estamos cada vez com menos tempo para dar a devida atenção àqueles que nos são mais caros, nossos entes queridos, principalmente os filhos.

Passamos horas e as vezes dias sem tempo para sentar, pegar em suas mãos e perguntar sobre o seu dia. Já não sabemos interpretar um olhar, um gesto, um pedido de ajuda silencioso.

Já não nos damos conta de que nossos filhos estão crescendo em um mundo diferente do nosso. Quem não se lembra de sua infância e adolescência? Tudo era mais simples, mais inocente. Passávamos o dia na rua jogando bola, bolinha de gude, andando de bicicleta e empinando pipa. Não havia celular, nem WhatsApp, e as mães não ficavam desesperadas com o nosso sumiço. Sabiam que de tardezinha iríamos aparecer, sujos, com fome, talvez faltando o tampo do dedão do pé e nada mais grave que isso.

A escola era um templo sagrado onde iríamos aprender o que era necessário, blindados de tudo o que era nocivo e ruim.

Quando adolescentes não tínhamos grana para fazer muita coisa, então torcíamos para os pais de alguém viajar e liberar a casa pra fazer a festinha no fim de semana ou aparecer aquela viagem para alguma conferência de escola, convenção, passeio ao Hopi Hari.

Havia um ônibus. Havia meninos e meninas e havia a disputa para ver quem iria sentar ao lado de quem na hora do embarque.

Rolando a festinha, rolava a paquera. Tudo era menos ofensivo, menos escancarado, mais romântico, mais inocente. Amizades feitas nesta época duravam para sempre.

O sexo hoje está banalizado. Músicas incentivam crianças a acelerarem o surgimento da sexualidade. Novelas incentivam todo tipo de depravação e o extermínio do conceito de família e de lar.

Tudo mudou e para pior. As drogas estão por toda parte, nas ruas, escolas, casas. Vejo crianças e adolescentes usuários e vejo pais impotentes diante de tão grave situação a ponto de autorizarem que seus filhos usem drogas dentro de casa e a ponto de irem pagar dívidas de drogas aos traficantes por medo de represálias.

Enquanto pais, temos o controle sobre nossos filhos?

Ao entrarem na adolescência, em um mundo novo, cheio de desafios e convites para o bem e para o mal, eles estão preparados?

Eles já sabem que a vida possui dois caminhos? O caminho do bem, com caráter, ética e cidadania, escolha difícil, que leva, sem dúvida alguma, a um futuro melhor, com um bom curso, um bom emprego, uma boa família, ou o caminho mais largo, mais gostoso, com menos preocupações, menos regras e menos obrigações, onde não precisam acordar cedo, não precisam trabalhar, não precisam obedecer aos pais, não precisam se preocupar com emprego, com vestibular ou com futuro, futuro este que será sombrio, com poucas oportunidades e subempregos.

Infelizmente quem caminha por estas sendas não sabe, por si só, que está na direção errada e talvez acorde tarde demais, quando os pais já não estarão por perto para ajudar.

Cabe aos pais reforçar aos filhos a ideia de que a adolescência é o período em que todas as grandes decisões são tomadas. Todo o futuro será traçado bem na época mais gostosa da vida.

ADOTEM SEUS FILHOS. Não deixem que eles cresçam como folhas ao vento. Presentes e mesa farta não bastam. É necessário fazer mais. É necessário cuidar, zelar, educar, cobrar, colocar a mão no ombro e indicar o caminho por muitas vezes. Não pensem que esta tarefa é fácil, pois não é. Saibam que mesmo que seus filhos não entendam a princípio os objetivos de suas ações, insistam, eduquem, orientem, saibam dizer não. Digam não todo dia se necessário. Digam não sempre que sentirem que suas escolhas os levarão a uma direção que não trará benefício algum a eles.

 Tenham certeza de que algum dia, mesmo que demore muito tempo, eles irão enxergar vossos esforços e irão lhes agradecer.

Quando se trata de educar filhos não existe fórmula mágica ou infalível, mas podemos e devemos nos espelhar em ideias que deram certo. Se estamos aqui, é porque nossos pais acertaram, certo?