20 de setembro de 2026

Mandato de vereador mais votado de Birigui pode ser extinto após decisão do STF

Mandato de vereador mais votado de Birigui pode ser extinto após decisão do STF

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O vereador José Fermino Grosso (PP), eleito com a maior votação nas eleições municipais de 2024, está no centro de uma controvérsia que pode resultar na perda de seu mandato. Um requerimento pedindo a extinção do cargo foi protocolado na manhã de terça-feira (1º) na Câmara Municipal de Birigui e já iniciou sua tramitação interna.

A solicitação tem como base uma decisão recente do Supremo Tribunal Federal (STF), que manteve a condenação de Fermino por crime de calúnia, em processo com trânsito em julgado. A Primeira Turma do STF, composta pelos ministros Cristiano Zanin (presidente da Turma), Cármen Lúcia, Luiz Fux, Alexandre de Moraes e Flávio Dino (relator), negou por unanimidade o recurso da defesa.

A defesa buscava reverter os efeitos da condenação por meio de um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP). No entanto, o STF entendeu que esse ponto não havia sido analisado nas instâncias anteriores, o que impediria sua apreciação direta pela Corte, sob risco de supressão de instância. Os ministros também afirmaram não haver ilegalidades ou situações excepcionais que justificassem a aceitação do pedido.

Câmara aguarda avaliação técnica

O presidente da Câmara de Birigui, vereador Pastor Reginaldo (PL), confirmou o recebimento do requerimento, mas afirmou que o caso ainda está em fase inicial. “Foi protocolado nesta manhã e ainda está em trâmite no protocolo. Tecnicamente será avaliado, e, assim que tivermos uma definição, vamos divulgar”, disse.

A análise seguirá os trâmites previstos na Lei Orgânica do Município e no Regimento Interno da Câmara.

De presidente da posse ao centro da crise

Fermino, que assumiu a presidência da sessão solene de posse da nova legislatura em janeiro deste ano, devido à sua expressiva votação, agora vê seu mandato ameaçado por um processo judicial já concluído. O futuro político do parlamentar dependerá do entendimento jurídico da Câmara e da condução do caso nos próximos dias.

Parlamentar não se manifestou

A reportagem tentou contato com Fermino por diversas vezes, utilizando o número oficial de seu gabinete, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. O espaço segue aberto para sua manifestação.

Entenda a decisão do STF

O agravo regimental apresentado pela defesa foi analisado entre os dias 16 e 23 de maio deste ano. O voto do relator, ministro Flávio Dino, foi seguido integralmente pelos demais ministros da Primeira Turma. A decisão reafirma a jurisprudência da Corte, que não admite habeas corpus como substitutivo de recurso próprio e tampouco permite a análise de teses não debatidas nas instâncias inferiores.

“Não se examinam as teses defensivas de habeas corpus dirigido a esta Suprema Corte quando o tribunal superior antecedente não se tenha manifestado sobre elas”, diz o voto do relator.

Com o trânsito em julgado confirmado, caberá agora à Câmara Municipal decidir se o vereador José Fermino Grosso permanece no cargo ou terá seu mandato extinto.

Fonte: Folha da Região