Antes de morrer, a estudante de medicina Carolina Andrade Zar, de 22 anos, montou um dossiê com prints de conversas de WhatsApp que revelam que o seu namorado a pressionou para tirar a própria vida e abortar a gravidez.
Conforme o documento obtido pelo Metrópoles, o companheiro da vítima xingava e manipulava emocionalmente a jovem para induzi-la a tirar o filho. Assim que soube da gravidez, ele a acusou de estar tentado dar um “golpe” e afirmou que a criança seria a “pior coisa” que poderia acontecer na vida dele.
Nas conversas, é possível ver o homem instruindo Carolina a comprar medicamentos ilegais e pressionando-a para que apagasse conversas e ocultasse o aborto dos familiares. O namorado utilizou várias vezes a ameaça de se matar ou “fazer uma besteira” como forma de pressão.
Após ser agressivo, o homem mudava o discurso para um tom de arrependimento e promessas de que “superariam juntos”, tentando convencer Carolina de que o aborto era o “melhor para os dois”.
A vítima revelou no dossiê que sonhava em ser mãe e chegou a afirmar que fingiria o aborto, mas que jogaria o remédio fora e sumiria da vida do namorado, criando o filho sozinha. “[Iria] falar pra ele me entregar o remédio que eu fazia sozinha, porque aí ele ia achar que eu tinha feito e eu jogava o negócio no vaso sanitário”, escreveu.
O rapaz, no entanto, não se convenceu e reservou um quarto de hotel para realizarem o procedimento juntos. Segundo os relatos da estudante, o casal esperou cerca de 12 horas até ter certeza de que a medicação tinha cumprido o efeito esperado. Ela já estava com 12 semanas de gestação, e passou muito mal após a ingestão da pílula.
Durante o procedimento, o jovem segurou a namorada pela cintura e pelos braços para impedir que ela se movesse ou mudasse de ideia devido à dor.
Cerca de duas semanas antes do suposto suicidio, Fauez Zar, o pai de Carolina, soube do aborto. Segundo ele, a jovem passou os últimos momentos repetindo: “Queria meu filho de volta, pai”. A jovem também dizia: “Eu fui acreditar nele [namorado], mas deveria ter conversado com senhor”.
Fonte: metropoles.com

