O dia 1º de dezembro, instituído pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como o Dia Mundial de Luta contra a AIDS, reforça anualmente a importância da prevenção, do diagnóstico e do cuidado contínuo. Segundo o relatório mais recente do UNAIDS, cerca de 40,8 milhões de pessoas vivem com HIV no mundo, enquanto 1,3 milhão de novas infecções foram registradas em 2024. Apesar dos avanços, ainda 9,2 milhões de pessoas não têm acesso ao tratamento, o que mantém o tema como uma prioridade global.
Neste ano, a mobilização internacional destaca a importância do diagnóstico precoce, do tratamento imediato e da ampliação das estratégias de prevenção, com o objetivo de acelerar o caminho para a eliminação da AIDS como ameaça à saúde pública até 2030.
Para contextualizar os desafios atuais e os progressos na prevenção e no cuidado, entrevistamos o infectologista Frederico Zago, que responde às principais dúvidas sobre HIV.
Perguntas ao médico infectologista Frederico Zago:
Hoje, quais são as formas mais eficazes e atualizadas de prevenção?
A forma mais eficaz é a chamada prevenção combinada, que reúne várias estratégias que se complementam. Isso inclui o uso consistente de preservativos, o acesso à PrEP para pessoas com maior risco, a PEP em casos de exposição eventual ao vírus, a testagem regular e o início imediato do tratamento para quem recebe o diagnóstico positivo. Quando combinadas, essas medidas reduzem significativamente a transmissão e tornam o HIV uma condição controlável.
Por que o teste rápido é tão importante e com que frequência as pessoas deveriam fazê-lo?
O teste rápido é essencial porque permite diagnóstico precoce — muitas vezes em menos de 30 minutos. Isso garante que a pessoa possa iniciar o tratamento rapidamente, o que melhora o prognóstico e reduz o risco de transmissão. A frequência depende do nível de exposição: para quem tem maior vulnerabilidade ou múltiplos parceiros, o ideal é testar a cada 3 a 6 meses; para os demais, ao menos uma vez ao ano já é recomendado.
O que significa viver com HIV atualmente? Como o tratamento mudou essa realidade?
Viver com HIV hoje é completamente diferente do que era décadas atrás. Com os antirretrovirais modernos e o início rápido do tratamento, muitas vezes no mesmo dia do diagnóstico, grande parte das pessoas alcança carga viral indetectável, mantendo saúde plena e qualidade de vida. E quando a carga viral está indetectável, a pessoa não transmite o vírus em relações sexuais. Hoje, o HIV é uma condição crônica tratável, e não mais sinônimo de doença grave.
A PrEP e a PEP são para quem? Quando cada uma é indicada?
A PrEP (Profilaxia Pré-Exposição) é destinada a pessoas que não têm HIV, mas apresentam maior risco de exposição. Isso inclui pessoas com múltiplos parceiros, homens que fazem sexo com homens, pessoas trans e outras populações vulneráveis. Ela deve ser usada antes da exposição, de forma contínua.
A PEP (Profilaxia Pós-Exposição) é uma medida de emergência, indicada após uma situação de risco, como uma relação desprotegida ou acidente ocupacional. Deve ser iniciada o mais rápido possível, preferencialmente nas primeiras horas, e no máximo até 72 horas após a exposição, e dura 28 dias.
Considerações importantes
O Dia Mundial de Luta contra a AIDS reforça que informação, prevenção e cuidado salvam vidas. A ampliação da testagem, o acesso à PrEP e à PEP, e o tratamento imediato são pilares fundamentais para reduzir novas infecções e combater o estigma associado ao HIV. Com as ferramentas disponíveis hoje, é possível vislumbrar um futuro com menos transmissão, mais qualidade de vida e maior equidade no cuidado.
Fonte: Agência Brasil