Durante a infância, a rotina escolar é marcada por disciplinas tradicionais, como matemática ou português, que costumam moldar os gostos dos alunos. Mas, no caso de André Luis de Almeida Bina Júnior, a “matéria” que transformou sua trajetória não estava nos livros didáticos convencionais: foi o Proerd.
De acordo com a Polícia Militar, o Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd) é um projeto de educação preventiva ao uso de drogas, que tem por objetivo evitar que crianças e adolescentes iniciem o seu uso.
Quase 10 anos depois de participar das aulas do cabo Gustavo Marçal de Oliveira, o então aluno do quinto ano do ensino fundamental e agora soldado Bina reencontrou o antigo instrutor durante o curso de formação de soldados da Polícia Militar, em Presidente Prudente (SP).
O encontro ocorreu neste primeiro semestre, quando o cabo Marçal, atualmente instrutor da Escola Superior de Soldados, entrou na sala para ministrar a disciplina de medicina legal sem saber que um de seus antigos alunos estaria entre os recrutas.
“No primeiro dia de aula, estava me apresentando para a turma e falando da minha história. Quando eu falei do Proerd, ele [André Luis] levantou a mão e perguntou: ‘Você lembra de mim?’. Eu olhei e falei: ‘Mas de onde que eu conheço um cara desse?’. Aí ele falou: ‘Você deu aula de Proerd para mim’. Foi uma surpresa muito grande, nem imaginava”, contou o cabo Marçal.
Naquele momento, a vontade era abraçar e conversar com o aluno, mas ele precisou conter a emoção por estar em ambiente militar.
“É uma sensação mesmo paternal, que a gente quer que seja maior, inclusive que nós mesmos. Se for possível, que ele consiga mais do que eu, a gente fica torcendo por isso”, disse.Início do sonho
Natural de Porecatu (PR), André Luis de Almeida Bina Júnior participou do Proerd em 2017, quando estudava na escola de educação geral em Pirapozinho (SP).
Ele lembra que uma das orientações do cabo Marçal ficou marcada durante todos esses anos: dizer “não” às drogas e buscar uma alternativa saudável, como a prática de esportes.
“Uma vez o cabo disse que, se um amigo oferecer droga, tem que dizer ‘não’ e procurar uma rota de fuga. Não só dizer ‘não’, mas também praticar um esporte e ocupar a nossa mente, porque, a partir do momento que a mente fica vaga, a gente quer ocupar esse espaço com novas curiosidades, e aí entra o papel das boas influências”, relembrou. (Por Enzo Mingroni)
Fonte: g1/Presidente Prudente e Região
