19 de maio de 2026

Café produzido por dependentes químicos ajuda na recuperação, é exportado para o Japão e financia obras sociais no interior de SP

Café produzido por dependentes químicos ajuda na recuperação, é exportado para o Japão e financia obras sociais no interior de SP

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Cultivado sem agrotóxicos em Jaci (SP), o Café Artesanal do Frei é produzido por acolhidos de comunidade terapêutica. Fraternidade fundada há 40 anos produz cerca de cinco mil quilos de café por ano.

Uma associação católica transformou o cultivo artesanal de café 100% arábica em uma das principais ferramentas de recuperação de dependentes químicos atendidos pela instituição em Jaci, no interior de São Paulo.

Conhecido como Café Artesanal do Frei, o produto, torrado e moído, conhecido pelo sabor suave e encorpado, é cultivado sem utilização de agrotóxicos e produzido por acolhidos da comunidade terapêutica como parte do processo de reabilitação.

Fundada em 4 de outubro de 1985, há 40 anos, a Associação Fraternidade São Francisco de Assis na Providência de Deus atualmente produz cinco mil quilos de café por ano, comercializados inclusive para o Japão e países da Europa.

Ao g1, o responsável, Anderson Santos, informou que a renda obtida com as vendas é revertida integralmente para as obras sociais e assistenciais mantidas pela fraternidade, que também produz mel e própolis.

Desde a fundação, mais de 50 mil pessoas de diversas regiões do país já passaram pela rede de acolhimento e recuperação mantida pela associação. De acordo com Anderson, o trabalho é considerado fundamental no processo terapêutico.

“A busca da recuperação vem junto com a reconstrução do ser humano. E não tem como fazer essa reconstrução sem a reabilitação dele consigo mesmo, com o trabalho, porque ninguém sobrevive sem trabalho”, afirmou o responsável.

O início e a produção

A entidade cristã, sem fins lucrativos, nasceu com a missão de acolher pessoas em situação de vulnerabilidade, especialmente dependentes químicos. A instituição define a própria atuação como um trabalho voltado a “enfrentar, acolher, cuidar e se colocar no lugar daqueles que mais necessitam”.

Segundo Anderson, o cultivo do café começou ainda com Frei Francisco Belotti, fundador da obra. O café era servido inicialmente para visitantes da obra social e, com o tempo, passou a despertar interesse de quem frequentava o local.

Diante disso, os próprios visitantes passaram a procurar formas de comprar o produto. A demanda fez com que a fraternidade estruturasse a produção e começasse a comercializar oficialmente o café.

“As pessoas sempre falavam da qualidade desse café. Depois começaram a perguntar como poderiam adquirir. Foi aí que começamos a fazer a embalagem certinha e buscar a aprovação”, explicou o responsável.

Conforme o representante, o produto recebeu certificação de café artesanal após avaliação técnica que levou em consideração o manejo, a torrefação e os cuidados durante toda a produção.

“O cultivo é feito sem utilização de agrotóxicos. Existe todo um cuidado na colheita, para não deixar o café cair no chão, além do controle na torrefação para manter a qualidade”, explica.

A associação destaca que o trabalho faz parte da metodologia aplicada no tratamento dos acolhidos. “A gente diz que a recuperação é como uma cadeira de quatro pernas: precisa da família, da espiritualidade, do trabalho e da rede de apoio. Sem o trabalho não há recuperação”, disse o representante.

O trabalho à favor da humanização

Além das comunidades terapêuticas, a fraternidade administra hospitais, ambulatórios, polos de saúde mental, casas de acolhimento e projetos sociais em diferentes estados do Brasil e também em países como Haiti, Portugal, Tanzânia e Japão.

A associação também mantém hospitais no noroeste paulista, comunidades terapêuticas, atendimento a pessoas em situação de rua e missões humanitárias na Amazônia e no Haiti. Segundo dados apresentados pela instituição, atualmente a rede conta com cerca de 80 serviços de saúde e assistência social.

Em 2024, a rede registrou mais de 5,7 milhões de atendimentos ambulatoriais e internações, segundo dados da própria instituição.

Fonte: G1/Rio Preto e Araçatuba

Foto 1: Freis franciscanos cultivam café de maneira artesanal com auxílio de dependente químicos em reabilitação, em lavoura de Jaci (SP): renda revertida para obras assistenciais — Foto: Associação Fraternidade São Francisco de Assis na Providência de Deus/Redes sociais/Reprodução

Foto 2: Fundada em 4 de outubro de 1985, há 40 anos, a Associação Fraternidade São Francisco de Assis na Providência de Deus produz café em Jaci (SP) — Foto: Associação Fraternidade São Francisco de Assis na Providência de Deus/Divulgação

Foto 4: Café Artesanal produzido em Jaci (SP) — Foto: Associação Fraternidade São Francisco de Assis na Providência de Deus/Divulgação