É comum ouvir que fezes de animais podem ser usadas como adubo, principalmente as daqueles que se alimentam de plantas, folhas, frutas e sementes, como boi, cavalo e aves. Muita gente usa essa desculpa para não recolher o cocô de cachorros, mas o processo não é tão simples assim.
O biólogo e médico veterinário Murilo Luiz e Castro Santana, especialista em Gestão, Auditoria e Perícia Ambiental, diz que as fezes de cães até poderiam servir como adubo por possuírem matéria orgânica e nutrientes, mas para isso precisariam passar por um tratamento.
“Para que dejetos animais sejam aproveitados de forma ambientalmente adequada, é necessário um processo controlado de coleta, tratamento e destinação, o que depende diretamente de um sistema que pode envolver compostagem, biodigestão ou outras formas de tratamento da matéria orgânica”, conta Santana.
Ele explica que nesses processos há um controle de fatores importantes, como temperatura, umidade, aeração, quantidade de material e tempo de tratamento.
O engenheiro agrônomo Caio de Teves Inácio, pesquisador da Embrapa Agrobiologia, alerta que somente a compostagem profissional é considerada bem-feita, pois ela aquece o material a 60 ou 65 graus para eliminar possíveis patógenos.
“Essa temperatura é a que mata e impede que se transmitam mais patógenos pela utilização do composto. Quando a gente fala em compostagem doméstica, por exemplo, as pessoas vão querer usar na horta e no paisagismo do jardim, o que não é recomendado, ainda mais quando crianças podem ter contato com esse solo”, esclarece Inácio.
Segundo o engenheiro, quando o esterco de animais vai para o solo, ele começa a sofrer decomposição pela microbiota da terra, o que aumenta a atividade biológica. Porém, se for depositado em temperaturas ambientes e tiver patógenos, esses microrganismos se proliferarão também, podendo contaminar a superfíce.
Fonte: metropoles.com
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