14 de agosto de 2026

Câncer colorretal pode ser identificado antes dos sintomas

Câncer colorretal pode ser identificado antes dos sintomas

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O câncer colorretal está entre os mais frequentes no Brasil, mas também é um dos que apresentam melhores chances de controle quando identificado precocemente.

Para pessoas sem fatores de risco, o rastreamento costuma ser indicado a partir dos 45 ou 50 anos, dependendo da diretriz médica adotada. Quem tem histórico familiar, doenças inflamatórias intestinais ou outros fatores de risco pode precisar começar antes.

O cirurgião do aparelho digestivo e especialista em cirurgia robótica Leonardo Emílio da Silva explica que o câncer colorretal está entre os tumores mais frequentes.

Por outro lado, trata-se também de uma doença com possibilidades importantes de prevenção. Isso ocorre porque muitos casos começam com pólipos, lesões que podem sofrer alterações ao longo dos anos.

Nesse cenário, a colonoscopia exerce papel relevante. Além de identificar alterações, o exame permite retirar pólipos durante o próprio procedimento.

“Por isso, os exames preventivos têm uma característica especialmente importante: além de diagnosticar o câncer em fases iniciais, a colonoscopia permite identificar e remover pólipos antes que eles se transformem em câncer.”

Para pessoas com risco habitual, as recomendações citadas pelo especialista indicam o início do rastreamento aos 45 anos. Isso vale mesmo para quem não apresenta sintomas.

A ausência de sinais, aliás, não significa ausência da doença. Por isso, esperar algum desconforto pode atrasar a identificação de alterações.

Quais exames podem ser utilizados?

A colonoscopia é considerada o exame mais completo para avaliar o intestino grosso. Durante o procedimento, também é possível realizar biópsias e remover pólipos.

Quando o resultado é normal e o paciente apresenta risco habitual, o intervalo citado pelo especialista costuma chegar a dez anos.

Além disso, existem métodos que não exigem procedimento invasivo, como:

. Teste imunoquímico fecal (FIT), geralmente realizado anualmente;

. Testes que associam sangue e DNA fecal, habitualmente feitos a cada três anos;

. Colonografia por tomografia computadorizada, geralmente realizada a cada cinco anos;

. Retossigmoidoscopia flexível, indicada em situações específicas.

. Entretanto, um resultado positivo em testes fecais ou na colonografia exige investigação complementar com colonoscopia.

Os testes sanguíneos mais recentes podem ampliar o acesso ao rastreamento. Ainda assim, segundo o especialista, eles não substituem os exames considerados de primeira linha.

Além disso, pessoas com maior risco costumam precisar de uma estratégia de acompanhamento diferente. Nesses casos, a avaliação individual define o exame e a periodicidade mais adequados.

Quem precisa começar antes dos 45 anos?

A antecipação do rastreamento pode ser necessária diante de fatores como:

. Pai, mãe, irmão ou filho com câncer colorretal ou pólipo avançado;

. Histórico pessoal de pólipos ou câncer colorretal;

. Doença inflamatória intestinal, especialmente retocolite ulcerativa ou Crohn com comprometimento do cólon;

. Síndromes hereditárias, como síndrome de Lynch ou polipose adenomatosa familiar;

. Histórico de radioterapia abdominal ou pélvica;

. Suspeita de predisposição genética familiar.

. Quando existe histórico em familiar de primeiro grau, a colonoscopia pode começar aos 40 anos. Outra possibilidade é iniciar dez anos antes da idade do diagnóstico do familiar mais jovem.

A definição, porém, depende de fatores como parentesco, idade do diagnóstico e características dos pólipos. Já nas síndromes hereditárias, o acompanhamento pode começar ainda mais cedo.

Quais sinais e sintomas exigem atenção?

Entre os principais sinais que merecem avaliação médica estão:

. Sangue vivo nas fezes ou sangramento pelo ânus;

. Fezes persistentemente escurecidas;

. Mudança recente e prolongada no funcionamento intestinal;

. Diarreia ou constipação persistentes;

. Alteração no formato ou calibre das fezes;

. Sensação frequente de evacuação incompleta;

. Dor, cólicas ou distensão abdominal recorrentes;

. Anemia por deficiência de ferro sem causa identificada;

. Cansaço ou fraqueza fora do habitual;

. Perda de peso involuntária;

. Redução inexplicada do apetite.

Esses sinais não significam necessariamente câncer. Ainda assim, precisam de avaliação adequada, principalmente quando persistem ou aparecem em conjunto.

O sangramento retal, por exemplo, merece investigação. Isso ocorre porque a incidência de câncer colorretal entre adultos mais jovens vem aumentando.

Quando é necessário procurar atendimento?

Sangue nas fezes, anemia sem explicação, emagrecimento involuntário e mudanças persistentes no intestino justificam avaliação médica. Nesses casos, trata-se de investigação diagnóstica, não apenas de prevenção.

Além disso, alguns sintomas exigem atendimento com maior urgência:

. Sangramento intestinal volumoso;

. Dor abdominal intensa ou progressiva;

. Distensão abdominal importante;

. Vômitos persistentes;

. Incapacidade de evacuar ou eliminar gases;

. Fraqueza acentuada;

. Desmaio.

A decisão sobre rastreamento entre 76 e 85 anos deve considerar o estado geral e o histórico de saúde. Depois dos 85, o rastreamento de rotina geralmente deixa de ser indicado.

Entretanto, sintomas continuam exigindo investigação em qualquer faixa etária.

Prevenção começa antes dos sintomas

De acordo com Leonardo Emílio da Silva, alguns hábitos podem contribuir para diminuir o risco. Entre eles estão manter peso adequado, praticar atividade física e não fumar.

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Além disso, o especialista recomenda moderar o consumo de bebidas alcoólicas. Uma alimentação com mais fibras, verduras, frutas e alimentos naturais também pode ajudar.

Por outro lado, reduzir carnes processadas integra as medidas citadas pelo médico. Ainda assim, hábitos saudáveis não substituem o acompanhamento e os exames preventivos.

A principal orientação é considerar o risco individual. Pessoas com risco habitual devem iniciar o rastreamento aos 45 anos, enquanto fatores de risco podem antecipar essa avaliação.

Da mesma forma, sintomas não devem esperar uma idade específica para serem investigados. Sangramento, dor persistente, perda de peso ou alterações intestinais merecem atenção.

“O câncer colorretal, quando descoberto precocemente, apresenta maior possibilidade de tratamento curativo, com procedimentos potencialmente menos complexos e melhores resultados”, destaca o especialista.

Fonte: metrópoles.com