3 de junho de 2026

QUAL O CUSTO DA MÁQUINA PÚBLICA

QUAL O CUSTO DA MÁQUINA PÚBLICA

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André Davi Martins é Tenente da Polícia Militar, escritor, professor de tiro e mediador de conflitos do Cejusc.

Com frequência nos perguntamos porque nosso país não é uma potência econômica, porque não estamos sólidos, com recursos, com divisas, com investimentos em infraestrutura, rodovias, portos, aeroportos, ferrovias, segurança, educação, etc.

Alguém aí lembra do último porto, da última grande rodovia ou ferrovia construídas?

Um simples trem do tipo VLC, de Campinas a São Paulo, em 2014, não saiu do papel.

A resposta óbvia é: Não há recursos. A grande questão é: Por que não sobra recursos para investimento nestas áreas, cruciais para o nosso desenvolvimento?

Vamos analisar esta questão com números:

Quanto gastamos com a manutenção da máquina burocrática do Brasil? Quanto se gasta para manter os poderes judiciário, executivo e legislativo em todo o território?

Temos um 1 presidente e 1 vice-presidente, 81 senadores, 513 deputados federais, 27 governadores e 27 vice-governadores, 1059 deputados estaduais, 5568 prefeitos e 5568 vice-prefeitos, 58.818 vereadores.

Cada senador possui 54 assessores, total 4374.

Cada deputado federal possui 25 assessores, total 12.805.

Cada deputado estadual possui 18 assessores, total 20.000.

Além disso, são 600 mil assessores de vereador.

O custo disso: 248 mil por minuto, 14,8 milhões por hora, 357 milhões por dia, 10,8 bilhões por mês, 130 bilhões por ano.

A esta conta astronômica, devemos contabilizar: 1 bilhão por ano de fundo partidário, 5 bilhões para o fundo eleitoral (são as verbas que cada deputado ou senador possui, no ano, para direcionar as tais “emendas” para os municípios, para a aquisição de veículos, asfaltamento, etc…

Então temos ⁠aproximadamente 136 bilhões por ano. Certo? Não…

Temos que contabilizar também que os ministros do STF, STJ, STJM, TST, desembargadores, procuradores, prefeitos, presidentes de câmaras de vereadores, fazem jus a veículos oficiais com combustível, motoristas, seguranças, passagens aéreas em voos comerciais ou voos em aeronaves da FAB, aluguel de apartamentos funcionais, verbas de gabinete, etc…

Percebam que a máquina de moer dinheiro e preservar reputações é perfeita, porque um poder possui a incumbência de fiscalizar o outro. O judiciário deve julgar a todos, e o senado é a casa censora do STF, ou seja, o presidente do senado é o responsável por instaurar um processo disciplinar contra ministros do STF que incorram em desvios de conduta.

Se todo mundo está feliz, se todo mundo está sorrindo, se todos estão tomando uísque Macallan de R$ 25.000,00 a garrafa, em pubs de Londres, pagos por um banqueiro, se todos estão voando nos jatos particulares deste mesmo banqueiro, que contrata a esposa de um ministro por R$ 130.000.000,00, por que iniciar alguma investigação, ou fiscalização, ou auditoria?

Quando paramos para pensar nessas somas absurdas de dinheiro, que poderiam estar sendo empregadas em tantos outros setores, somos levados a concluir que não há como este país progredir.

Não podemos também deixar de mencionar o tamanho do assistencialismo que se instalou no país. Já são perto de 59 milhões de pessoas inseridas no programa bolsa família, outras tantas no bolsa gás, bolsa energia, isentos de pagarem imposto de renda.

Já temos estados com mais pessoas no bolsa família do que registrados em carteira.

A cidade de Itaubal, no Amapá, com 6 mil habitantes, tem 93% da população inserida no bolsa família. Isso mesmo, apenas 28 pessoas naquela cidade estão trabalhando com registro em carteira conta.

A previdência social, onde o trabalhador contribui quase 40 anos para, no final da vida, receber um salário mínimo, está fadada a falir, pois a pirâmide, onde a base, formada por um grande número de trabalhadores deve contribuir para, no topo da pirâmide, uma pequena parcela de idosos possa usufruir do benefício, está invertida. Atualmente temos na base cada vez menos jovens contribuindo, pois um quarto da população do país está no bolsa família, e lá no alto, os idosos estão vivendo cada vez mais, com a elevação da qualidade de vida e da medicina. A conta não está fechando, o rombo da previdência só aumenta, mas ninguém fala.

A conta, obviamente, já está sendo desviada e imputada a quem trabalha. Os empreendedores já estão pagando mais impostos. A carga tributária do Brasil já é de longe a maior do planeta. A taxa Selic em 15% ao mês sim, segura a inflação, mas impede o crescimento, impede que os empresários tomem empréstimos e façam aumentar o dinheiro circulante, estrangulando toda a cadeia econômica.

Em qualquer país evoluído, a simples inserção do eleitor em qualquer programa de auxílio do governo, é automaticamente impedido de votar. Aqui, os programas são utilizados como propaganda eleitoral gratuita antecipada, travestida de ajuda.

Se imaginarmos que na eleição passada o candidato vencedor obteve 53 milhões de votos, contra 51,5 milhões do segundo colocado, e se observarmos o número de pessoas nos programas sociais existentes, vamos concluir que a próxima eleição já está decidida, já sabemos que irá vencer.

É triste vermos o mesmo político, no poder desde 2000, com raros períodos de exceção, vir a público dizer que o país está quebrado, e que ele precisa de mais 4 anos para consertar tudo.

Não há luz no fim deste túnel.