16 de maio de 2026

OS CAVALEIROS TEMPLÁRIOS E O DESCOBRIMENTO DO BRASIL

OS CAVALEIROS TEMPLÁRIOS E O DESCOBRIMENTO DO BRASIL

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André Davi Martins é Tenente da Polícia Militar, escritor, professor de tiro e mediador de conflitos do Cejusc.

Se o mundo é como é hoje, com seus países, fronteiras, nações, estados, regimes de governo diferentes e particulares, muita coisa aconteceu, muitos fatos se deram ao longo dos séculos, mortes, vinganças, mentiras plantadas, perseguições políticas e religiosas.

Hoje falaremos sobre uma ordem em especial e como ela influenciou diretamente a nós, brasileiros, a ordem dos CAVALEIROS TEMPLÁRIOS.

Mais ou menos no ano 1000 da era Cristã, muitos europeus cristãos (seguidores de Cristo), querendo ir à terra santa (Jerusalém) enfrentavam longa jornada à pé, à cavalo e de navios e eram assaltados no trajeto por Muçulmanos.

Para combater este problema, um grupo de nobres da França se reuniu e formou uma ordem, religiosa e militar, com a finalidade de proteger os peregrinos.

Em 1120, o rei Balduíno II, de Jerusalém, pediu ajuda, sendo atendido pelos cavaleiros templários.

Em 1129, São Bernardo de Claraval apresentou a causa dos templários ao papa Honório II, assim a igreja reconheceu a ordem.

São Bernardo escreveu ainda os fundamentos dos cavaleiros templários, que deveriam possuir a mansidão, prudência e temperança de um monge e a coragem, fortaleza e justiça de um militar, além do voto de pobreza.

A primeira grande batalha ocorre no cerco de Antióquia, quando os templários bloquearam, com os próprios corpos, o caminho, protegendo os cristãos que lá estavam.

Em sinal de gratidão, começaram a receber presentes e doações da sociedade, ocorrendo o crescimento da ordem, que com o tempo passou a ter mais posses que os reis.

Quando as guerras se tornaram menos frequentes, muitos cavaleiros se dedicaram a atividades mercantis e financeiras, sendo os precursores dos depósitos e saques através da “letra de câmbio”, que funcionada da seguinte forma:

Antes das viagens, os peregrinos deixavam seu dinheiro com os cavaleiros na Europa e viajavam em segurança, levando apenas um papel, uma nota promissória ou letra de câmbio. Ao chegarem no destino, Jerusalém, apresentavam o documento aos Cavaleiros Templários que lá estavam, retirando a porcentagem previamente combinada, e todos ficavam satisfeitos.

Em 1095 ocorre a primeira cruzada, marcando o início da reconquista do ocidente.

Alguns anos depois, ocorre a segunda cruzada, que assim como a primeira, fracassa.

Cristãos perderam para os muçulmanos, que tinham vantagem numérica e conheciam o terreno, além do fato de que o general Saladino uniu os muçulmanos, que lutavam entre si, os agrupando em um único grande exército, que em 1186 tomou Jerusalém.

Em 1197, os Mouros derrotaram os cristãos na batalha de Hattin e prenderam 230 templários. A eles foram oferecidas duas opções: Se converterem ao islamismo ou morrer, todos escolheram a morte.

Quando a notícia da tomada de Jerusalém chega na Europa, três reis, Frederico barba roxa, Felipe Augusto e Ricardo Coração de Leão, organizam a terceira cruzada, a mais organizada e planejada, mas também não conseguem vencer Saladino.

Os sobreviventes da ordem se abrigam na ilha de Chipre, tendo como novo grão-mestre da ordem Jaques Demolay.

Neste mesmo período, Felipe IV, o belo, rei da França, estava lutando contra Eduardo I, rei da Inglaterra. Para arrecadar dinheiro, cobrou impostos da igreja. O Papa Bonifácio XIII proíbe a cobrança e emite bula rechaçando o rei francês. O rei então cria campanha difamatória contra o papa, o chamando de herege e satanista. O Papa excomunga o rei.

600 homens invadem a cidade e exigem a renúncia do papa, que recusa.

Enquanto isso, o Rei Felipe segue expropriando judeus e bancos, criando enormes dívidas e inflação. A crise leva a população a se revoltar. O rei então pede uma grande quantia emprestada aos templários. O tesoureiro cede o empréstimo, quando o grão-mestre Demolay descobre, fica furioso e expulsa o tesoureiro.

Para não pagar a dívida, o Rei Felipe novamente inicia campanha difamatória, agora contra os próprios templários, os chamando de hereges, apóstatas e sodomitas.

Um processo absurdamente parcial é aberto, condenando-os à morte. O Rei extingue a ordem e se apropria dos tesouros.

Na noite de sexta-feira, 13 de outubro de 1307, centenas de cavaleiros foram capturados, torturados para confessarem seus crimes e mortos, razão de sexta-feira 13 ser um dia sombrio.

Em 1314 a ordem é dissolvida na França. Jaques Demolay é queimado na fogueira por heresia.

Diante deste Cenário na França, o papa Clemente V pede ao Rei Dom Dinis, de Portugal, para também eliminar os templários, mas o Rei não o atende, reconhece o valor da ordem de cristo, recebe os cavaleiros remanescentes e os abriga.

Nas terras portuguesas, a ordem continua, agora com o nome de Ordem de Cristo, transferindo seus bens para o rei.

Com o dinheiro recebido, o rei foi o pioneiro nas grandes navegações oceânicas.

Em 1500, financiado pelo seu rei, Pedro Álvares Cabral, grão-mestre da Ordem de Cristo, comandando 13 naus, com 1500 homens, realiza a viagem a índia durante a qual se afasta da costa africana (se por acaso ou intencionalmente nunca saberemos) e aporta em terras que achava ser uma ilha, dando-lhe o nome de vera cruz. Daí para a frente todos sabemos o que aconteceu e eis que estamos aqui, brasileiros, falando o idioma português (único país do continente, aliás).