22 DE ABRIL – DESCOBRIMENTO DO BRASIL E SUA CRONOLOGIA – PARTE II
André Davi Martins é Tenente da Polícia Militar, professor de tiro e mediador de conflitos do Cejusc.
No dia 22 comemoramos uma data muito importante, talvez a mais importante de todas, pois marca o início de nosso país, de nossa nação.
Dando seguimento no assunto, vamos tentar entender como nosso país nasceu e tornou-se o que é hoje.
Por ordem do rei de Portugal Manuel I, Pedro Álvares Cabral saiu de Portugal dia 9 de março de 1500 com uma esquadra de 13 navios e mais de 1.500 homens com destino à Índia, com suprimentos suficientes para 18 meses de navegação. Sua missão era comprar especiarias (temperos) e estreitar o relacionamento com aquele país.
Enquanto contornava o continente Africano fez um desvio à direita (não sabemos e provavelmente nunca saberemos se proposital ou acidental), e no dia 22 de abril desembarcou na costa brasileira, onde hoje fica a cidade de Porto Seguro, no estado da Bahia.
Teria ele vindo secretamente a mando do rei Manuel I para se apossar das terras até então sem dono ou desviou-se da rota por acaso e, chegando à costa chamou os nativos de “Índios” por achar que havia chegado na Índia? A carta de seu escrivão, Pero Vaz de Caminha, enviada ao rei descrevendo o lugar, não menciona nem uma nem outra hipótese.
O fato é que até a chegada daquele bando de homens barbudos e fedidos, já que estavam sem tomar banho ou escovar os dentes há quase 50 dias, os cerca de um milhão de habitantes apenas do litoral deste país tropical viviam como Adão no paraíso, nus, morando em ocas de sapê, em tribos, comendo animais que caçavam com arcos e flechas, tomando de cinco a dez banhos diários nos rios, sem noção nenhuma de escrita ou de religião. Muitos eram canibais, ou seja, tinham o hábito de comerem os inimigos capturados em combate, e matavam os bebês nascidos com defeitos congênitos visíveis.
No dia 24, dois dias após sua chegada, Cabral recebeu um grupo de índios em seu navio, e os nativos aparentemente reconheceram o ouro e a prata que se fazia surgir na embarcação, principalmente um fio de ouro de D. Pedro e um castiçal de prata, o que fez com que os portugueses inicialmente acreditassem que havia muito ouro naquela terra.
Quatro dias depois da chegada, foi rezada a primeira missa no Brasil, por Henrique, natural de Coimbra, frade e bispo português, no dia 26 de abril de 1500, um domingo, na praia da Coroa Vermelha, em Santa Cruz Cabrália, no litoral sul da Bahia, local hoje demarcado por uma grande cruz de mármore, inaugurada em 26 de abril de 2000, nos festejos de comemoração dos 500 anos do descobrimento.
Em um morro, ao lado direito da foz do rio Bunharem, que desemboca no mar naquele local, em 1534, foi fundada a cidade de Porto Seguro (nome recebido devido aos corais que existem no local, impedindo o mar de provocar ondas), local onde foram erigidas três igrejas, uma para os nobres, outra para os comerciantes e outra para os pobres e escravos, além de uma pequena vila com casas e a cadeia. Todos estes prédios existem até hoje e constituem um lindo local de visitação, imperdível para quem curte história. Lá também está instalado o marco do descobrimento, um bloco de pedra de 1,62 cm de altura, instalado naquele local em 1503 ou 1535, não se sabe ao certo, mas com certeza teve a finalidade de mostrar à todos a quem aquela terra pertencia.
Após passarem dez dias no Brasil, partiram em direção à Calicute, na Índia, deixando pra trás 2 degredados (criminosos portugueses condenados que trocavam a pena de morte pela do degredo). No trajeto, ao passarem no Cabo da Boa Esperança, enfrentaram uma forte tempestade, onde 7 das 13 embarcações afundaram, causando a morte de mais de 450 homens.
Já na Índia, Cabral inicialmente obteve sucesso na negociação dos direitos de comercialização das especiarias, mas os comerciantes árabes que lá estavam consideraram o negócio português como uma ameaça ao monopólio deles e provocaram um ataque ao entreposto e à frota de Cabral.
Os portugueses sofreram várias baixas. A nau em que estava Pero Vaz de Caminha, o escrivão da frota e autor da célebre Carta, foi atingida por tiros de canhão, e ele morreu em batalha. Cabral vingou-se do ataque saqueando e queimando a frota árabe e, em seguida, bombardeou a cidade em represália à incapacidade de seu governante em explicar o ocorrido (seus navios foram os primeiros a singrarem os mares carregando pesados canhões).
A frota conseguiu retornar à Portugal, onde chegou com apenas 6 navios e 500 homens, mas levaram as tão cobiçadas especiarias, além de um país recém-descoberto, e a expedição foi considerada um sucesso!
Assim nasceu nosso imenso país, que foi dividido em fatias chamadas Sesmarias, doadas em caráter perpétuo aos nobres portugueses, iniciando assim a longa colonização com a plantação de cana de açúcar.
Somos formados por europeus, índios e africanos. Esta miscigenação tornou nossa população única, seja na cor da pele, seja na tolerância com as diversas religiões professadas, seja na alegria de viver.
Temos a dimensão de um continente, o segundo maior contingente militar da América, atrás apenas dos EUA, a maior malha hidroviária do mundo, a maior concentração de minérios, não temos furacões nem terremotos. Nosso país é um paraíso na terra e certamente ainda será uma nação forte nas áreas econômica, logística e social, bastando para isso a conscientização de nós enquanto eleitores, para que possamos eleger governantes capazes de estancar ou eliminar a corrupção que assola nossa economia e impede nosso país de crescer.
Eu acredito. (Fonte: Wikipédia e Internet).