FAI de Adamantina aparece em investigação do Ministério Público Federal

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Apuração envolve 10 faculdades de Medicina no Brasil

O Centro Universitário de Adamantina (FAI) aparece entre as instituições citadas em uma investigação aberta pelo Ministério Público Federal (MPF) que apura possíveis problemas na formação médica em cursos de Medicina no Brasil.

De acordo com informações divulgadas pelo jornal O Estado de S. Paulo e repercutidas pela Revista Oeste, o MPF abriu 10 procedimentos de investigação contra faculdades que apresentaram desempenho considerado insatisfatório no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed).

As apurações envolvem instituições localizadas em quatro estados brasileiros: São Paulo, Rondônia, Mato Grosso e Piauí.

Segundo o levantamento, oito das faculdades investigadas são privadas e duas são municipais. Entre elas estão o Centro Universitário de Adamantina e o Centro Universitário de Santa Fé do Sul, ambos localizados no interior do Estado de São Paulo.

Foco da investigação é o internato médico

O principal foco das investigações é a qualidade do internato médico, etapa considerada essencial na formação dos futuros profissionais da saúde.

O internato corresponde aos dois últimos anos do curso de Medicina, período em que os estudantes passam a atuar diretamente em hospitais, clínicas e unidades de saúde, realizando atividades práticas sob supervisão de médicos especialistas.

Especialistas ouvidos pela reportagem do Estadão apontam que fragilidades nessa fase prática da formação podem comprometer o preparo profissional dos estudantes, o que levou o Ministério Público Federal a abrir procedimentos para avaliar a situação em diferentes instituições.

Cursos receberam notas baixas no exame nacional

As faculdades citadas nas investigações receberam notas 1 ou 2 no Enamed, avaliação aplicada para medir a qualidade da formação médica no país.

Segundo o Ministério da Educação (MEC), esse nível de desempenho é classificado como não proficiente. A nota máxima do exame é 5.

Dados do governo federal indicam que 89 mil estudantes, matriculados em 351 cursos de Medicina no Brasil, participaram da avaliação.

Investigação também envolve financiamento público

Outro ponto observado no levantamento é o impacto envolvendo recursos públicos.

Cursos de Medicina que apresentaram desempenho mais baixo concentram cerca de R$ 3,7 bilhões em contratos ativos do Fies, programa federal de financiamento estudantil.

Ao todo, aproximadamente 14 mil estudantes dessas instituições utilizam financiamento público para cursar Medicina.

Expansão de cursos de Medicina entra no debate

O avanço das investigações ocorre em meio ao debate nacional sobre a expansão acelerada de cursos de Medicina no Brasil nos últimos anos.

Especialistas em educação médica defendem maior rigor na autorização e fiscalização dessas graduações, principalmente em relação à qualidade da formação prática, estrutura hospitalar disponível e oferta de campos de estágio adequados.

Esses fatores são considerados fundamentais para garantir a formação adequada dos futuros médicos no país. (Por Márcio Barreto)

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