20 de abril de 2026

SAÚDE – Brasil inicia implementação de programa inédito para apoio a famílias de crianças com TEA

SAÚDE – Brasil inicia implementação de programa inédito para apoio a famílias de crianças com TEA

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País é o primeiro das Américas a adotar o Caregiver Skills Training como política pública, com impacto estimado em mais de 1.300 famílias já em 2026.

Brasil deu um passo histórico no cuidado às crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e atraso no neurodesenvolvimento ao iniciar, no Rio Grande do Norte, o processo de implementação do Caregiver Skills Training (CST) — Treinamento de Habilidades voltado para famílias e cuidadores de crianças com TEA ou deficiência. Desenvolvido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o programa passa a integrar as políticas públicas do país, tornando o Brasil o primeiro das Américas a adotar o CST em âmbito governamental.

A formação presencial ocorreu entre os dias 2 e 6 de fevereiro de 2026, no Instituto de Ensino e Pesquisa Alberto Santos Dumont (ISD), em Macaíba (RN), reunindo profissionais do Ministério da Saúde e parceiros estratégicos. A iniciativa integra as ações do Programa Agora Tem Especialistas e está alinhada ao Novo Viver sem Limite, fortalecendo a Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência no Sistema Único de Saúde (SUS).

Desenvolvido pela OMS em parceria com o UNICEF e já implementado em mais de 30 países, o CST tem como objetivo qualifiar pais e cuidadores para o cuidado cotidiano, promover o desenvolvimento infantil, reduzir comportamentos desafiadores e ampliar o acesso a intervenções precoces e de qualidade, inclusive antes do diagnóstico fechado de TEA.

Formação internacional e impacto direto nas famílias

A etapa presencial no Rio Grande do Norte foi conduzida por três formadores internacionais da Organização Mundial da Saúde, com atividades teóricas no período da manhã e intervenções práticas com famílias durante a tarde. Nesta fase inicial, estão sendo formados 26 supervisores, que irão qualificar 240 instrutores em todo o país, com impacto direto estimado em mais de 1.300 famílias ainda em 2026.

Com a expansão do programa, a expectativa é alcançar até 72 mil famílias em todo o Brasil em 2027, a depender da adesão dos gestores locais.

Nesse contexto, o coordenador-geral de Saúde da Pessoa com Deficiência do Ministério da Saúde, Arthur Medeiros, destaca que a iniciativa fortalece o cuidado desde os primeiros sinais de atraso no desenvolvimento infantil:

“A implementação do Caregiver Skills Training no Brasil representa um avanço estruturante na política de cuidado à pessoa com deficiência. Ao capacitar famílias e cuidadores, fortalecemos a intervenção precoce, promovemos o desenvolvimento infantil e qualificamos o cuidado em rede, com impacto direto na vida das crianças e na sustentabilidade do SUS. ”

Rio Grande do Norte como referência nacional e internacional

A escolha do Rio Grande do Norte como sede da formação nacional reforça o papel estratégico do estado na saúde pública brasileira. O Centro de Educação e Pesquisa em Saúde Anita Garibaldi, vinculado ao ISD e habilitado como Centro Especializado em Reabilitação (CER IV), referência na Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência, integrou a agenda técnica do programa.

O protagonismo brasileiro na implementação do CST já ganhou destaque internacional. A experiência foi apresentada em encontros globais da Organização Mundial da Saúde e citada pelo diretor-geral da Organização, Dr. Tedros Adhanom, como exemplo de política pública inovadora e centrada na família.

Investimento e fortalecimento do SUS

O Ministério da Saúde prevê investimento de cerca de R$ 13 milhões até 2030 para a implementação do CST e a qualificação de profissionais que atuam nos Centros Especializados em Reabilitação em todo o país. Somente em 2026, serão destinados aproximadamente R$ 2 milhões para o início das ações.

Ao fortalecer a intervenção precoce e o acompanhamento familiar desde os primeiros sinais de atraso no desenvolvimento, o programa contribui para a redução de filas na atenção especializada, qualifica o cuidado na Atenção Primária à Saúde e amplia a inclusão no SUS. (Patrícia Coelho)

Fonte: Ministério da Saúde