Dia 19 de maio é celebrado Dia Mundial de Combate às Doenças Inflamatórias e a boca pode antecipar diagnóstico e impactar na evolução da doença.
A conexão entre boca e intestino tem ganhado relevância na ciência e pode impactar diretamente o controle de doenças como a Doença de Crohn e a Retocolite Ulcerativa. Com a proximidade do Dia Mundial de Combate às Doenças Inflamatórias Intestinais (DIIs), celebrado em 19 de maio, o tema reforça a importância de uma abordagem integrada no cuidado ao paciente.
Segundo o cirurgião-dentista Davi Cunha, a saúde bucal deve ser encarada como parte do controle da doença. “A cavidade oral participa do processo inflamatório do organismo. Infecções gengivais, como a periodontite, aumentam essa carga inflamatória e podem interferir na evolução das doenças intestinais”, explica.
Pesquisas recentes apontam que bactérias presentes na boca podem migrar para o intestino, alterando a microbiota intestinal, um fator-chave para a remissão das DIIs. Esse mecanismo, conhecido como “eixo boca-intestino”, ajuda a explicar por que problemas bucais podem agravar o quadro clínico.
O alerta ganha força diante do avanço dessas doenças no Brasil. Estima-se que cerca de 250 mil pessoas convivam com DIIs no país, com crescimento médio de 15% ao ano nos diagnósticos. “Esse cenário exige atenção também ao diagnóstico precoce. Em muitos casos, os primeiros sinais aparecem na boca, antes mesmo dos sintomas intestinais”, destaca o especialista.
Aftas recorrentes, inflamações gengivais persistentes, inchaço labial e lesões ulceradas estão entre as manifestações mais comuns. Em quadros de Crohn, podem surgir alterações mais específicas na mucosa oral, enquanto deficiências nutricionais associadas à doença podem provocar inflamações na língua e nos cantos da boca.
“Não é raro que o paciente passe por diferentes profissionais antes de fechar o diagnóstico. O dentista pode ajudar a encurtar esse caminho ao identificar sinais precoces”, afirma Davi Cunha.
Além da identificação, o cuidado com a saúde bucal também pode influenciar na evolução da doença. Evidências indicam que o tratamento de doenças periodontais pode contribuir para a redução da inflamação sistêmica. “Controlar a saúde gengival pode ser um aliado importante para manter a doença intestinal em remissão”, diz.
O especialista também chama atenção para pacientes em uso de imunossupressores, comuns no tratamento das DIIs. “Esses medicamentos podem aumentar o risco de infecções oportunistas na boca, como candidíase. Por isso, o acompanhamento odontológico regular é indispensável”, orienta.
Fonte: engajacomunicacao.com.br