“Não basta duplicar: é preciso compreender o território que sustenta a cidade”
A rotatória implantada na Rodovia Marechal Rondon, no patrimônio de Paranápólis, consolidou-se como um exemplo de engenharia viária eficiente, onde a fluidez do tráfego se harmoniza com a segurança dos usuários. Trata-se de um dispositivo que, ao longo do tempo, demonstrou na prática aquilo que os melhores projetos buscam: reduzir conflitos, organizar acessos e praticamente eliminar registros de acidentes relevantes, mesmo em uma rodovia de grande circulação.
Em contraponto, o cenário observado na confluência da Rodovia da Integração (SP-563) com a Avenida Rio Grande do Sul, em Andradina, revela uma realidade distinta — não pela incapacidade estrutural do local, mas pela ausência de um modelo viário que dialogue com a intensidade econômica e o volume de tráfego ali concentrados.
A comparação entre os dois pontos evidencia uma disparidade significativa: enquanto a rotatória da Marechal Rondon atende com eficiência um fluxo considerável, porém mais homogêneo, o eixo Integração–Rio Grande do Sul concentra um movimento diário muito superior, impulsionado por uma cadeia econômica robusta e diversificada.
Ali se encontram postos de combustíveis, restaurantes, mercados, barbearias, oficinas, borracharias, depósitos de materiais de construção, transportadoras e uma série de serviços voltados, sobretudo, ao atendimento de caminhoneiros e viajantes — um verdadeiro corredor logístico e comercial.
Esse dinamismo econômico se traduz em números expressivos. Estima-se que dezenas de empresas instaladas no entorno da rodovia e da avenida sejam responsáveis pela geração de centenas de empregos diretos e indiretos, além de uma arrecadação significativa de tributos municipais, especialmente o ISS. Trata-se de um polo que não apenas sustenta famílias, mas também contribui de forma decisiva para o equilíbrio financeiro do município. Ou seja, a arrecadação seria suficiente para construção de vários viadutos ao longo do ano.
Diante desse contexto, qualquer intervenção viária que desconsidere a lógica de acesso e circulação existente pode provocar impactos que vão além do trânsito, atingindo diretamente o coração econômico da região. A eventual supressão de acessos diretos, aliada à obrigatoriedade de retornos distantes, tende a desestimular o fluxo espontâneo de clientes, especialmente no segmento de transporte rodoviário, onde tempo e praticidade são fatores determinantes.
É nesse ponto que o modelo adotado na Marechal Rondon surge como referência concreta e viável. A implantação de um dispositivo semelhante — uma rotatória moderna, dimensionada para o alto volume de veículos — poderia conciliar os objetivos da duplicação com a preservação da atividade econômica local. Mais do que uma solução técnica, trata-se de uma escolha estratégica: promover o desenvolvimento sem comprometer aquilo que já funciona e gera resultados.
O desafio, portanto, não está em optar entre progresso e tradição, mas em integrá-los com inteligência. Andradina não pode correr o risco de substituir um sistema funcional por um modelo que, embora tecnicamente concebido, desconsidere as particularidades socioeconômicas do seu território.
Ao olhar para o exemplo de Paranápólis, fica evidente que soluções eficientes já existem dentro da própria malha rodoviária regional. Cabe agora aos órgãos responsáveis, como o DER, avaliar com sensibilidade e responsabilidade a adoção de alternativas que garantam não apenas a fluidez do tráfego, mas também a continuidade de um ecossistema econômico que sustenta empregos, arrecadação e desenvolvimento.
Porque, no fim, uma obra viária não deve apenas encurtar caminhos — deve também preservar destinos.
Fonte: Consorcio de Jornalistas de Andradina
