Mendonça alertou Fachin sobre relatório com mensagens de Vorcaro a Alexandre de Moraes

Mendonça alertou Fachin sobre relatório com mensagens de Vorcaro a Alexandre de Moraes

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Relator do caso Master e presidente do STF se reuniram no último domingo para discutir o caso

Segundo a coluna de Malu Gaspar (O Globo), o ministro André Mendonça alertou o presidente do STF, Edson Fachin, sobre o teor das mensagens entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes antes de encaminhar o relatório da PF à PGR. Os dois se reuniram pessoalmente no domingo (30/8) em Brasília, e Fachin ficou preocupado com o episódio, que arrasta o Supremo para o epicentro da crise em plena campanha eleitoral. O temor central de Fachin, já mapeado pela coluna, é que o caso Master contamine a eleição para o Senado — que renova dois terços das cadeiras em outubro — e turbine uma bancada de direita com o impeachment de ministros como pauta prioritária. Na terça (1º), Mendonça levantou o sigilo da apuração, escancarando publicamente a crise.

Nas mensagens, Vorcaro pede a Moraes “proteção” de Andrei Rodrigues (PF) e Paulo Gonet (PGR): “Se o Andrei conseguir atrasar pra outra semana, pois tem feriado, o banco não quebra.” No dia anterior à prisão, insiste: “O Galípolo está sabendo? Conseguimos fazer algo?” — tentativa explícita de usar a proximidade com o ministro para escapar da Operação Compliance Zero. Há ainda mensagens de visualização única cujo conteúdo se apagou e ligações telefônicas que Moraes negou existir à coluna, mesmo constando do material pericial apreendido pela PF.

 A crise institucional tem dois lados nítidos: Mendonça desconfia de vazamentos seletivos, reclama de intromissão do governo Lula nas investigações e da demora no envio de relatórios; a PF, por sua vez, vê no ministro uma tentativa de direcionar politicamente a apuração.

O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, já protestou contra decisões de Mendonça, como o envio do material bruto do caso INSS e a exigência de ser avisado previamente sobre qualquer troca na equipe policial que o assessora — lido pela corporação como ingerência administrativa. Brasília teme que Mendonça chegue a determinar o afastamento de Rodrigues da chefia da PF.

Paralelamente, o Estadão revelou que Moraes editou pessoalmente o contrato de R$ 129 milhões entre o Master e o escritório de sua mulher, Viviane Barci — última alteração registrada às 23h04 de 15 de janeiro de 2024.

 O acordo, de escopo amplo (“representar o Master onde for necessário”), rendeu R$ 80 milhões antes da liquidação do banco. Gonet e Rodrigues, aliás, estavam entre os convidados de uma degustação de uísque bancada por Vorcaro em Londres, em abril de 2024 — evidência adicional do alcance social do banqueiro sobre os próprios investigadores do caso.

O quadro que emerge não é de suspeitas isoladas: é uma teia documentada de proximidade — mensagens, ligações negadas e depois confirmadas, edição de contrato milionário da família — que o próprio Fachin já reconhecia como ameaça à legitimidade da Corte antes de vir a público. Tentar “baixar a temperatura” internamente, em vez de agir, é o retrato de uma instituição que sabia do problema e escolheu geri-lo em silêncio.

Fonte: Globo.globo.com