2 de outubro de 2026

Mãe denuncia médico que usou Google para pesquisar diagnóstico de criança

Mãe denuncia médico que usou Google para pesquisar diagnóstico de criança

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Um médico da rede pública de Brodowski, no interior de São Paulo, pesquisou no Google três vezes durante uma consulta com criança que apresentava sintomas da “doença misteriosa” que afeta o município. A Associação Paulista de Medicina (APM) diz que a ferramenta não pode substituir a expertise profissional.

Em entrevista ao Metrópoles, Andrea, mãe de Daniel, que tem 8 anos, explicou que a criança chegou da escola com coceira e manchas vermelhas pelo corpo, no início de setembro. Imediatamente levou o filho para uma unidade médica.

No local, foi atendida por um profissional que ficou em dúvida com relação ao que os sintomas significavam. Ele então decidiu abrir o Google para comparar as imagens da plataforma com as manchas vermelhas do paciente.

“‘Olha, vamos ver aqui no Google.’ Aí ele jogou lá e falou: ‘não, mãe, a catapora é assim [mostrou a foto], catapora é diferente. E ninguém mais fica com catapora, porque tem vacina’”, contou a mãe.

A situação se repetiu mais duas vezes, com escabiose (ou sarna humana) e com picada de inseto. A terceira opção foi o veredito, e o médico receitou antialérgicos. Os medicamentos não fizeram o efeito esperado e o pequeno Daniel levou 15 dias para se recuperar da coceira.

“Estava eu e meu esposo, me passou muito a sensação de que ele não sabia. Ele estava pesquisando no Google porque não tinha ideia do que era.”, afirmou Andrea.

A Prefeitura de Brodowski foi procurada pelo Metrópoles para falar sobre o caso, mas não se manifestou até o momento. O espaço segue aberto.

De acordo com a última atualização epidemiológica da cidade, 75 pessoas já foram atendidas com os mesmos sintomas do menino Daniel nas unidades de saúde de Brodowski. As causas e o diagnóstico seguem desconhecidos.

O presidente da APM, Antônio José Gonçalves, afirmou que o diagnóstico exige conhecimento que apenas um médico pode ter de “avaliação clínica, história do paciente e interpretação criteriosa das informações disponíveis”. Mas ele não repudia totalmente o uso da ferramenta.

Fonte: metropoles.com

Foto: Iuliia Mikhalitskaia/iStock