Possibilidade de fechamento da rotatória da avenida gera preocupação em Andradina e mobiliza audiência pública na Câmara
Andradina poderá enfrentar um cenário de incertezas econômicas e urbanísticas diante do projeto de duplicação do trecho urbano da Rodovia General Euclides de Oliveira Figueiredo (SP-563), conhecida como Rodovia da Integração, proposto pelo Departamento de Estradas de Rodagem. O tema será debatido em Audiência Pública marcada para a manhã do próximo dia 11, na Câmara Municipal.
De acordo com informações preliminares vazadas, o projeto prevê mudanças significativas na atual configuração viária, incluindo o fechamento da rotatória que dá acesso à Avenida Rio Grande do Sul — um dos principais corredores de entrada da cidade. Em substituição, estariam previstos dois novos dispositivos de retorno, localizados a cerca de 500 metros do atual rotatória, em ambos os sentidos.
A proposta tem gerado apreensão entre comerciantes e moradores. A Avenida Rio Grande do Sul concentra uma importante cadeia de serviços voltados, sobretudo, ao atendimento de caminhoneiros e viajantes. O receio é de que a alteração no fluxo comprometa diretamente a movimentação econômica local, afetando estabelecimentos como borracharias, oficinas, bares, lava-jatos, depósitos de material de construção e postos de combustíveis, entre outros.
Um dos pontos mais sensíveis envolve o Posto Viajantes, empreendimento que hoje representa um polo de geração de renda e empregos. Estima-se que cerca de 200 postos de trabalho diretos estejam ligados às atividades instaladas no entorno da empresa. Com a mudança proposta, o acesso ao local poderá exigir desvios superiores a mil metros [ida e volta], fator que pode desestimular a parada de motoristas e impactar severamente o faturamento dos negócios.
Outro aspecto levantado diz respeito ao investimento público recente realizado pela Prefeitura. Em janeiro de 2025, foi entregue uma nova rotatória nas imediações do posto e um futuro condomínio, com o objetivo de melhorar a fluidez do trânsito e garantir maior segurança viária. A possível desativação desse dispositivo levanta questionamentos quanto à eficiência do planejamento integrado entre município e Estado, além do risco de desperdício de recursos públicos.
Atualmente, o trecho registra intenso fluxo de veículos, especialmente em horários de pico, sendo fundamental para cerca de centenas de motoristas que utilizam a avenida como principal acesso à cidade. A retirada da rotatória pode provocar não apenas impactos econômicos, mas também transtornos operacionais no trânsito urbano.
Especialistas e lideranças locais defendem que a duplicação da rodovia representa, sim, um avanço necessário para a infraestrutura regional. No entanto, ponderam que o projeto precisa ser ajustado para preservar a dinâmica econômica existente e evitar prejuízos à população.
A Audiência Pública deverá reunir representantes do DER, autoridades municipais, empresários e a comunidade, em um momento decisivo para discutir alternativas e buscar soluções que conciliem desenvolvimento viário com sustentabilidade econômica. A expectativa é de que o diálogo permita adequações no projeto, garantindo que o progresso não se transforme em um “presente de grego” para Andradina.
DIVULGAÇÃO