22 de setembro de 2026

Saiba como tecnologias desenvolvidas no interior de SP garantem avanços no diagnóstico e tratamento do câncer de mama

Saiba como tecnologias desenvolvidas no interior de SP garantem avanços no diagnóstico e tratamento do câncer de mama

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Hospital e universidades de Jaú, Botucatu e Presidente Prudente (SP) produzem avanços para aumentar as chances de cura e garantir mais qualidade de vida às pacientes. Terceira reportagem da série “Resistir”, da TV TEM, fala do avanço da ciência.

Pesquisas e novas tecnologias desenvolvidas em hospitais e universidades do centro-oeste e oeste paulista estão ajudando a transformar o enfrentamento do câncer de mama. Do diagnóstico mais rápido e confortável à possibilidade de monitorar a doença com métodos menos invasivos, os estudos têm demonstrado que a ciência é aliada fundamental para aumentar as chances de cura e garantir mais qualidade de vida às pacientes.

Em Jaú, o Hospital Amaral Carvalho participa de uma pesquisa com biópsia líquida para auxiliar no monitoramento da doença. Na Unesp de Botucatu, pesquisadores implantaram um protocolo que permite diminuir o tempo da ressonância para diagnóstico. E em Presidente Prudente, um estudo revela que a alimentação influencia diretamente no tratamento oncológico.

A terceira reportagem da série “Resistir” exibida no TEM Notícias 1ª Edição mostra esses três estudos, em três cidades diferentes, relacionados ao câncer de mama.

Monitoramento menos invasivo

Em Jaú (SP), pesquisadores do Hospital Amaral Carvalho estudam uma alternativa promissora para o acompanhamento das pacientes: a biópsia líquida. A técnica permite detectar fragmentos do tumor em fluidos corporais, como sangue e urina, sem necessidade de internação.

“A biópsia líquida identifica células tumorais e fragmentos de DNA que o tumor libera no organismo”, explica a farmacêutica bioquímica Ludmilla Thomé Domingos Chinen, responsável pela pesquisa. Segundo ela, o método é menos invasivo e com resultados mais rápidos e de menor custo.

O foco atual dos estudos é o monitoramento da doença como forma de saber se a paciente está respondendo ao tratamento e ajustar a terapia precocemente, evitando efeitos colaterais desnecessários. “Nossa intenção é que essa tecnologia chegue à rede pública futuramente, pois ainda estamos em fase de pesquisa.”

As enfermeiras fazem o convite para as pacientes colaborarem de forma voluntária. Mais de 200 pacientes participam do estudo que envolve coletas de sangue a cada seis meses. Para a educadora física Gabriela de Souza Amaral, diagnosticada em março, contribuir para o estudo é um gesto de solidariedade. “Acredito que participar pode ajudar outras pessoas. É um novo caminho que se abre”, afirma.

A enfermeira navegadora Bruna Montagna reforça o impacto humano das pesquisas. “Elas não ajudam só o hospital, mas as próximas pacientes que vão precisar do tratamento. É um gesto de amor.”

Ressonância com tempo menor

No Hospital das Clínicas da Unesp, em Botucatu (SP), um grupo de pesquisadores desenvolveu um protocolo abreviado de ressonância magnética, capaz de reduzir o tempo do exame de 30 para apenas 8 minutos sem perda de qualidade no diagnóstico.

O novo método foi publicado na Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia e já está em uso no hospital. O protocolo foi baseado nos estudos de uma médica alemã que, há uma década, conseguiu reduzir o tempo do procedimento.

“Esse exame é voltado para mulheres com alto risco de desenvolver o câncer de mama. Antes, conseguíamos realizar cerca de oito exames por mês. Agora, com o novo protocolo, ampliamos para 40”, explica o professor Eduardo Carvalho Pessoa, da Faculdade de Medicina da Unesp.

A residente em radiologia Thais Lima Fragoso detalha que o protocolo eliminou etapas desnecessárias, como as sequências coronal e sagital. “Conseguimos reduzir o tempo sem prejudicar a qualidade da imagem e nem a capacidade de rastreamento”, afirma.

Para quem passa pelo exame, a mudança faz diferença. Alini Corrêa, técnica de enfermagem, descobriu o câncer após sentir um caroço na mama. “Os exames são desconfortáveis. Quanto mais tempo ficamos na posição, parece que o tempo não passa. Esse protocolo mais rápido ajuda muito”, diz.

Além de aumentar a eficiência, o novo formato tornou o processo mais humanizado. “Antes, muitas pacientes não conseguiam concluir o exame por causa do desconforto. Agora, esse problema diminuiu em cerca de 90%”, afirma a biomédica Fernanda Lofiego Renosto.

Segundo a residente em mastologia Thais Ribeiro Melo, o impacto também é clínico. “A mamografia é o exame padrão, mas ainda há de 30% a 40% dos diagnósticos feitos em estágios mais avançados. A ressonância, especialmente com o protocolo abreviado, aumenta as chances de detectar a doença mais cedo.”

Alimentação e prevenção

Outro campo que tem despertado atenção é a relação entre alimentação e câncer de mama. Uma pesquisa desenvolvida pela Universidade do Oeste Paulista (Unoeste), em Presidente Prudente, revelou que a maioria das pacientes em tratamento consome alimentos inflamatórios, como ultraprocessados, frituras e carnes processadas, e poucos alimentos anti-inflamatórios, como frutas, verduras e peixes.

“A maioria das mulheres avaliadas consumia alimentos que favorecem a inflamação no organismo”, explica a professora e nutricionista oncológica Sandra Genaro. “Quando há uma alimentação equilibrada e individualizada, os efeitos colaterais da quimioterapia diminuem e o paciente consegue manter melhor a imunidade e o tratamento.”

A pesquisadora Bianca Francisco da Silva acrescenta que o acompanhamento nutricional faz diferença até no bem-estar. “As pacientes relatam que, com orientação alimentar, enfrentam o tratamento de forma muito mais leve.”

A aposentada Maria Geni dos Santos é um exemplo disso. “Eu era uma formiga que comia duas barras de chocolate por dia. Mudei totalmente minha alimentação e percebi que fez bem. Ganhei peso comendo certo, descascando mais e desembalando menos”, conta.

Fonte: G1/Rio Preto e Araçatuba

Foto 1: Biópsia líquida permite detectar fragmentos do tumor em fluidos corporais, como sangue e urina, sem necessidade de internação — Foto: Reprodução/TV TEM

Foto 2: Farmacêutica bioquímica Ludmilla Thomé Domingos Chinen, responsável pela pesquisa — Foto: Reprodução/TV TEM

Foto 3 – Foco dos estudos é o monitoramento da doença como forma de saber se a paciente está respondendo ao tratamento e ajustar a terapia — Foto: Reprodução/TV TEM