CUIDADOS NA PROTEÇÃO DAS CRIANÇAS E ADOLESCENTES CONTRA A PEDOFILIA PARTE II

CUIDADOS NA PROTEÇÃO DAS CRIANÇAS E ADOLESCENTES CONTRA A PEDOFILIA PARTE II

Facebook
WhatsApp
X
Threads

André Davi Martins é Tenente da Polícia Militar, escritor, professor de tiro e mediador de conflitos do Cejusc.

O tempo passa, a sociedade evolui (ou não), as tecnologias surgem aos borbotões, o que ontem era o máximo hoje já está obsoleto, e seguimos lépidos e fagueiros tentando acompanhar tudo de novo que surge.

Dentre as principais ferramentas do novo milênio, sem dúvida a internet se sobressai pela sua importância, para o bem e para o mal.

Nossa sociedade, como a conhecemos, vem sendo construída, evoluída e lapidada há cerca de 5 mil anos, desde a Mesopotâmia, Grécia, Egito, Sumérios, Babilônios, Acadianos, etc.

Desde este tempo, uma linha de conduta e comportamento se estabeleceu como NORMAL, e tudo que foge deste padrão, é considerado pela sociedade como um erro.

Entre todos os comportamentos divergentes, um se destaca pela sua gravidade, perversidade, infâmia, traumas e prejuízos causados para a sua vítima. Me refiro à pedofilia.

No texto anterior, falei sobre como o pedófilo se aproxima da sua vítima, sendo o contato direto, geralmente no ambiente familiar, escolas, clubes ou praia, onde ocorre o contato entre ambos, ou indireto, feito pelas redes sociais ou jogos online, onde a criança mantém diálogo com o criminoso, diálogos que se iniciam de forma despretensiosa e inocente, e evolui para chantagens em troca de fotos e imagens de cunho sexual, que serão vendidas em sites hospedados em países europeus.

Ciente da gravidade deste problema, todos os pais precisam saber como prevenir este mal.

Pode parecer estranho, mas o óbvio precisa ser dito. Os pais precisam dizer aos filhos, diariamente, como um mantra, as seguintes orientações:

Não postar e não permitir que a criança poste fotos de biquíni em redes sociais. Imagens aparentemente singelas e sem qualquer conotação sexual, são salvas por criminosos, e vendidas em sites especializados em pedofilia, sediados na Europa, principalmente na Rússia. Não aceitarem carona de estranhos. Não aceitar doces de estranhos. Não permitir que as crianças entrem sozinhas em consultório dentista ou médico. Não permitir que entrem sozinhas em banheiros públicos. Criança não beija na boca, nem mesmo as bitoquinhas de carinho. Criança não namora. Tudo tem seu tempo. Ao levar o filho para a escola, espere ele entrar no portão. Quando não puder buscar a criança na escola, avisar quem vai pegar com nome completo. Só agende prestadores de serviço quando estiver em casa. Conheça os amigos de seus filhos, conheça os pais dos amigos, saiba o endereço, saiba o telefone. Vá de surpresa onde seu filho estiver, faça a checagem in loco. Confiar é bom, checar é melhor. Oriente os filhos de que ninguém pode tocar em suas partes intimas, nem ele pode tocar as partes intimas das outras crianças. Não deixar filhos sozinhos com computador trancados no quarto. Este é seguramente o maior perigo, a maior ameaça que os pais entregam aos filhos. Na ânsia de proteger dos perigos da rua, os pais permitem que os filhos fiquem horas, madrugadas inteiras, trancados no quarto, na internet ou jogos online, à mercê de todos os perigos, pois inconscientemente eles acabam interagindo com os pedófilos, que atuam disfarçados jogadores comuns em plataformas de jogos online.

Outra atitude necessária por parte dos pais é sempre estarem atentos a toda mudança de comportamento dos filho, como queda de rendimento escolar, tendência ao isolamento, choro sem motivos, automutilação, e outras, que podem ser indicativo de que algo não está bem, mas a criança está com medo de falar.

Neste aspecto, o papel dos professores é fundamental, pois as vezes a criança não tem coragem de contar o problema aos pais, mas contam aos professores, se forem estimulados da forma correta. Para isso, a observação atenta é fundamental.

Outro cuidado importante a ser tomado pelos pais, é orientar de forma leve, sem pressão ou ameaças de punição por algum erro que venha a ser cometido ou já tenha sido cometido, incutindo na criança o medo de ser punida ao contar que está vivendo o problema.

São cuidados simples, mas fundamentais, que se seguidos à risca, certamente irão evitar o mal maior.