7 DE SETEMBRO – O DIA QUE NOS LIBERTAMOS…DE QUEM? PARTE II

7 DE SETEMBRO – O DIA QUE NOS LIBERTAMOS…DE QUEM? PARTE II

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         André Davi Martins é Tenente da Polícia Militar, professor de tiro e mediador de conflitos do Cejusc.

No texto de semana passada, comentei sobre o dia 7 de setembro, em que comemoramos o dia da Independência.

Falei sobre os motivos iniciais que levaram os acontecimentos a convergirem para este fato, ocorrido às margens do riacho Ipiranga, proximidades da cidade de São Paulo, quando o príncipe regente, com 23 anos, decidiu dar um basta nos desmandos e ameaças vindos de Portugal e proclamou a Independência do Brasil.

No texto de hoje, vou falar mais sobre os bastidores deste episódio que mudou para sempre o rumo de nosso amado país e a forma como vivemos.

 A corte portuguesa viveu no Brasil de 1808 a 1821, mais precisamente no Rio de Janeiro, em um palácio na Quinta da Boa Vista, doado pelo maior traficante de escravos do Brasil à época, Elias Antônio Lopes.

Este prédio, posteriormente foi transformado no Museu Nacional, até ser totalmente destruído por um incêndio em 02 de setembro de 2018, no que seguramente foi a maior perda para a história de nosso país, uma perda irreparável.

Tudo ia bem, até que em 1821 D. João VI decidiu retornar a Portugal, deixando no Brasil seu filho D. Pedro I, então com 22 anos, na condição de príncipe regente.

O problema começou quando, algum tempo depois, D. João VI exigiu o retorno do filho a Portugal, declarando que iria retirar todas as prerrogativas dadas ao Brasil e retorná-lo à condição de colônia.

Em 9 de janeiro de 1822 ele recusou-se a retornar a Portugal pela primeira vez, proferindo um histórico discurso da sacada do prédio onde estava (Se é para o bem de todos e felicidade geral da Nação, estou pronto! Digam ao povo que fico), data que ficou conhecida como “Dia do Fico”

O que poucas pessoas sabem é que em 20 de agosto de 1822, cerca de 15 dias antes da Proclamação da Independência, houve uma reunião na Loja Maçônica “Comércio e Artes” no Rio de Janeiro, convocada por Joaquim Gonçalves Ledo em face da ausência de José Bonifácio, Grão-Mestre que se encontrava viajando.

Gonçalves Ledo, seu substituto hierárquico na maçonaria brasileira, profere um eloquente discurso expondo aos maçons presentes a necessidade de ser imediatamente proclamada a Independência do Brasil.

Por causa do discurso proferido, a proposta foi votada e aprovada por todos os presentes. Nascia ali o embrião da ideia que iria ser colocada em prática muito pouco tempo depois.

A cópia da ata dessa reunião foi encaminhada imediatamente a D. Pedro I, que se encontrava também viajando, e recebeu tal decisão às margens do riacho do Ipiranga, em 7 de setembro, ocasião que o Imperador proclamou a Independência do Brasil por encontrar respaldo e mesmo determinação da Maçonaria Brasileira.

Após este ato, na mesma noite participou de uma reunião com os membros da Maçonaria paulista que lhe renderam apoio incondicional (Ele havia sido iniciado em 02 de Agosto na Loja “Comércio e Artes do Rio de Janeiro sob o pseudônimo de “Guatimozin”). Um mês depois, em 12 de outubro de 1822, foi aclamado imperador e em 1º de dezembro coroado pelo bispo do Rio de Janeiro, recebendo o título de Dom Pedro I.

Ao contrário do que parece, a vida deste imperador não foi um conto de fadas.

Ainda criança, precisou sair às pressas de seu país natal, deixando para trás amigos e entes queridos. Passou sua juventude longe da terra natal. Aos 21 anos, despediu-se de seu pai D. João VI para nunca mais o vê-lo (seu pai morreu em 1826 em Portugal).

Após o falecimento de seu pai, herdou o trono de Portugal, que abdicou em favor de sua filha mais velha, Maria II.

Logo depois, seu irmão D. Miguel, por meio de um golpe em 1831, tentou tomar o trono de Maria II. Para defender a filha, teve que ir para Portugal, deixando no Brasil seu filho D. Pedro II com apenas 5 anos, e nunca mais o viu, pois também morreu três anos depois, em 1834, em Portugal, no palácio Queluz, no quarto Don Quixote, mesmo quarto, aliás, que nasceu.

Casou-se com a primeira esposa, Leopoldina, por procuração, sem nunca tê-la visto pessoalmente, apenas por um quadro e, ao encontrá-la pela primeira vez, quando esta chegou ao Brasil, chorou nos braços de José Bonifácio, pois a achou feia por demais.

E assim, aos trancos e barrancos, entre erros e acertos, nasceu nossa grande nação chamada Brasil…

Talvez a história não diga. Talvez os professores omitam, mas todos devem saber que:

D. Pedro I e seu filho, D. Pedro II amaram profundamente este país, dedicaram suas vidas em seu benefício.

À eles, toda a honra e glória.