Em entrevista exclusiva à CNN Brasil, empresária investigada por suspeita de tráfico de influência afirma que Lula sabia das reuniões que o filho, Lulinha, promovia com ministros do governo.
A empresária e lobista Roberta Luchsinger, investigada pela Polícia Federal por suspeita de tráfico de influência, rebateu no sábado (17) as declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que a chamou de “pilantra”. Em entrevista exclusiva à CNN Brasil, ela afirmou que o presidente tinha conhecimento dos encontros que seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, promovia com ministros do governo em sua própria casa.
“Ele mente o tempo inteiro. […] Se eu sou pilantra e toda essa turma andava e frequentava a minha casa, eles são pilantras como eu”, declarou Roberta.
A empresária disse que foi uma das grandes apoiadoras de Lula e que o defendeu publicamente quando ele foi preso, em abril de 2018. Agora, porém, afirma não acreditar mais na inocência do presidente e demonstra ressentimento pela maneira como passou a ser tratada.
“E isso me dói falar, porque eu já acreditei muito nele, defendi muito ele o tempo inteiro, lutei muito por ele quando ele estava, inclusive, preso”, afirmou.
Roberta também reclamou do que considera falta de reconhecimento por parte do petista. “E o que eu recebi em troca? Nem um muito obrigada. Eu recebi em troca ‘pilantra’, ‘mau caráter’, ‘falastrona’, ‘Vorcaro feminino’. Eu recebi em troca uma comparação com o maior criminoso financeiro do Brasil.”
Lula chamou Roberta de “pilantra” pela primeira vez durante entrevista à TV Globo, em 27 de agosto. Posteriormente, às vésperas do primeiro turno, voltou a usar o termo em entrevista ao Flow Podcast, comparando a empresária ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no caso envolvendo supostas fraudes do Banco Master.
Na ocasião, Lula afirmou que Roberta teria enganado diversas pessoas e classificou como “próprio de malandro” o relato de que ele teria oferecido a ela um cargo no governo.
Na entrevista à CNN, Roberta contestou a versão do presidente e citou encontros de Lulinha com integrantes do governo, incluindo o ministro da Educação, Camilo Santana. Segundo ela, o filho do presidente esteve diversas vezes com ministros e chegou a viajar para a casa de um deles, no Ceará.
“Então o Lula é um grande mentiroso quando ele fala ‘ela é uma pilantra, mas meu filho não’”, declarou.
A empresária também afirmou receber mais de 50 ameaças de morte por dia e disse que suas duas filhas vêm sofrendo constrangimentos públicos, além de ameaças de morte e estupro, desde que Lula passou a chamá-la de “pilantra”.
“Como é possível que o presidente tenha usado a máquina pública, um horário nobre de espectadores, para me agredir, para me chamar de pilantra e para me colocar como um ‘boi de piranha’ ali, fazendo um X na minha testa?!”, questionou.
Ao final, Roberta declarou que chegou ao limite diante da situação que enfrenta e que precisa defender a própria integridade e a de suas filhas.
“Eu não sou pilantra. Eu sou uma mulher sozinha, com duas filhas, que está enfrentando um processo que eu tenho certeza que um por cento não aguentaria o que eu estou passando”, afirmou. “E eu cheguei no meu limite. Se eu não defender a minha integridade e a das minhas filhas, ninguém vai defender.”
As declarações são de Roberta Luchsinger à CNN Brasil. As suspeitas investigadas pela Polícia Federal e as afirmações feitas na entrevista devem ser avaliadas no contexto das investigações, sem que as acusações, por si só, comprovem a prática de crimes.
Fonte: CNNBrasil.com.br