24 de setembro de 2026

Com consórcios em alta, crescem golpes com promessa de contemplação rápida

Com consórcios em alta, crescem golpes com promessa de contemplação rápida

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Pagamento para contas de terceiros, contratos falsos e abordagens que simulam operações reais são práticas que exigem atenção, segundo especialista da Directcon

O Sistema de Consórcios atingiu, em julho, a marca histórica de 13,41 milhões de participantes ativos no Brasil. Entre janeiro e julho, foram comercializadas 3,31 milhões de cotas, alta de 14,9% em relação ao mesmo período de 2025, segundo estimativas da assessoria econômica da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC).

O cenário de expansão também reforça a importância de consumidores estarem atentos a golpes que utilizam o nome de administradoras reais para oferecer supostas facilidades na contratação ou contemplação de cotas. Entre as fraudes mais comuns estão as promessas de contemplação em prazo determinado, pedidos de pagamentos antecipados e transferências para contas de vendedores ou terceiros.

Segundo Luís Fellipe de Oliveira, COO e cofundador da Directcon, empresa especializada em crédito estruturado, consórcios e soluções patrimoniais, um dos principais sinais de alerta é quando o consumidor recebe a promessa de que será contemplado em poucos meses mediante o pagamento de uma determinada quantia. “Promessa de contemplação é proibida. Nenhum vendedor pode dizer que o cliente será contemplado em determinado mês. O que pode ser apresentado é o histórico de lances de um grupo, mas não existe garantia de que aquele comportamento vai se repetir na próxima assembleia”, explica.

Outro cuidado importante é observar para quem o dinheiro está sendo enviado. Em uma operação regular, os pagamentos relacionados à cota devem ser feitos diretamente à administradora, por seus canais oficiais. O consumidor deve desconfiar quando um vendedor pede um PIX para uma conta própria ou de terceiros sob a justificativa de que fará o pagamento da parcela ou do lance em nome do cliente.

“Qualquer transferência que não seja para a própria administradora é muito suspeita. O lance também não é pago antecipadamente para garantir a contemplação. O cliente só precisa pagar o lance depois de ser contemplado e seguindo os procedimentos da administradora”, afirma Luís Fellipe.

Golpe pode parecer legítimo

De acordo com o executivo, os fraudadores nem sempre utilizam abordagens que parecem obviamente suspeitas. Em alguns casos, chegam a contratar uma cota real em nome do consumidor e utilizam informações ou acessos da administradora para dar aparência de legitimidade à negociação. Depois, prometem uma contemplação rápida e orientam a vítima a transferir o dinheiro diretamente para eles.

A fraude também pode envolver contratos próprios ou documentos que simulam uma relação formal com a administradora. Por isso, ter um contrato em mãos não é suficiente para comprovar que a operação é legítima. O consumidor deve confirmar diretamente com a administradora se o vendedor é um representante autorizado e se o contrato apresentado é verdadeiro.

Outro ponto de atenção é o tempo que a vítima leva para perceber o golpe. Segundo Luís, é comum que o consumidor só desconfie dois ou três meses depois, justamente quando chega o prazo em que a contemplação havia sido prometida e ela não acontece. Em seguida, muitas vezes, o suposto vendedor deixa de responder às mensagens.

Para reduzir os riscos, a orientação é acompanhar a cota diretamente pelos canais oficiais da administradora. Por meio do portal ou aplicativo, o cliente consegue consultar informações do grupo, acompanhar sua cota, verificar resultados de assembleias e confirmar uma eventual contemplação. Em caso de dúvida, também pode entrar em contato diretamente com a administradora por telefone ou whatsapp oficial solicitando registro do suposto distribuidor do produto.

Atenção antes de contratar

Alguns cuidados simples podem ajudar o consumidor a identificar uma possível fraude:

. Verificar se a administradora é autorizada a operar e utilizar seus canais oficiais de atendimento.

. Confirmar diretamente com a administradora se o vendedor é um representante autorizado.

. Validar com a administradora o contrato de adesão antes de realizar pagamentos.

. Nunca transferir dinheiro para a conta pessoal de vendedor ou de terceiros.

. Desconfiar de qualquer cobrança antecipada para garantir uma contemplação.

. Não acreditar em promessas de contemplação em prazo determinado.

. Emitir boletos e realizar pagamentos pelos canais oficiais da administradora.

. Conferir diretamente com a administradora se a cota foi contemplada, sem depender apenas da informação do vendedor.

Caso perceba que foi vítima de um golpe, o consumidor deve reunir comprovantes de pagamento, contratos e mensagens, registrar um boletim de ocorrência e comunicar a administradora envolvida. Em casos de pagamentos via PIX, também é importante acionar imediatamente o banco. O consumidor pode ainda registrar uma reclamação no Banco Central, que supervisiona as administradoras de consórcios, e buscar os órgãos de defesa do consumidor.

A recomendação, portanto, é não tomar decisões com base apenas na palavra do vendedor. Confirmar a situação da cota, a autenticidade do contrato e a destinação dos pagamentos diretamente com a administradora são medidas simples que podem evitar prejuízos.

Sobre a Directcon

Fundada em 2024, a Directcon é uma das maiores corretoras de consórcios do país especializada em soluções financeiras para pessoas físicas e empresas. A companhia atua em três frentes de negócio — crédito estruturado, consórcios e soluções patrimoniais — desenvolvendo estratégias personalizadas para aquisição de bens, acesso a crédito e planejamento patrimonial.

Fonte: Ryto Public Affairs