4 de setembro de 2026

GOLPE DO PIX

GOLPE DO PIX

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André Davi Martins é Tenente da Polícia Militar, escritor, professor de tiro e mediador de conflitos do Cejusc.

O mundo convive com golpes desde sempre. Já foi o falso bilhete de loteria premiado, já foi a carteira esquecida na calçada, o telefonema do falso sequestro.

Com a evolução das tecnologias, os golpes também evoluíram. Atualmente os mais comuns envolvem aplicativos de bancos.

Os mais comuns são: Falso atendente liga dizendo que há milhas do seu cartão a vencer ou que houve uma compra indevida, o que você obviamente irá negar, e o golpista dirá que irá tomar providências imediatas para cancelar a compra, lhe pedindo dados sigilosos, incluindo sua senha, ou pedirá um código que ele mesmo irá lhe enviar.

Se você, inadvertidamente, passar os dados, ou o código, o golpista irá invadir sua conta, sacar seus valores, fará empréstimos em seu nome e, o pior de tudo:

O banco não irá lhe restituir os valores perdidos, já que, para o banco, não houve quebra das barreiras de segurança, ou seja, você mesmo permitiu a invasão da conta, você deu ao golpista a chave da porta da sua conta.

Só lhe restará acionar o banco judicialmente e se preparar para uma longa batalha judicial, que nem sempre terá um desfecho favorável.

Agora, uma nova modalidade está em voga: O golpe do pix errado.

Mas como ele funciona exatamente?

Consiste basicamente em um golpe que se inicia com o golpista fazendo um pix legítimo para a para sua conta, cujo valor irá aparecer no seu extrato.

Logo na sequência, ele irá entrar em contato e explicar que fez um pix errado para a sua conta e solicitar que você devolva o dinheiro.

Aí está o pulo do gato. Ele não irá pedir para você devolver o dinheiro para a mesma conta de origem, e sim para a conta de uma terceira pessoa ou, se para a conta dele, através de um novo pix.

Você, bem intencionado e agindo corretamente, faz um novo pix e devolve o valor na conta indicada por ele, ou mesmo na conta dele.

Após receber o valor, feito por você em um novo pix, o golpista entra em contato com o banco dele e pede a devolução do dinheiro que ele lhe enviou usando o MED – Mecanismo Especial de Devolução.

Nesse caso, ele indicará ao banco que você é o golpista, que pegou o dinheiro dele e mandou por uma terceira conta. 

De forma preventiva, o seu banco irá bloquear o valor recebido em sua conta e devolver o dinheiro para o golpista.

Entretanto, ele já terá recebido o dinheiro de volta de você naquela conta que ele indicou ou mesmo na conta dele feito por um novo pix.

Ou seja, você terá enviado o valor à ele duas vezes.

Exemplo: Ele te manda R$ 500,00. Você devolve R$ 500,00 em novo pix, e ele contesta o pix de R$ 500,00 que lhe enviou anteriormente, e o seu banco retira o valor da sua conta e restitui à ele. No final da operação ele lhe mandou R$ 500,00, pegou de volta, e ainda arrancou R$ 500,00 da sua conta.

Como não cair no golpe do PIX errado?

Em primeiro lugar, se alguém entrar em contato dizendo que fez um PIX por engano, você deve checar em sua conta se de fato o valor caiu, e se ainda permanece lá, de preferência no dia seguinte.

Se efetivamente tiver caído, jamais faça a devolução dos recursos para a conta que o golpista está indicando, ou mesmo para a conta dele através de um novo pix.

Em vez disso, entre no aplicativo de seu banco, abra o extrato do pix da sua conta e selecione o PIX recebido “por engano”. Em seguida, escolha a opção de devolução ou reembolso pix disponível em seu aplicativo.

Seguindo os passos mencionados acima, o dinheiro voltará exatamente para a conta de onde ele veio, pelo mesmo caminho, impedindo a concretização do golpe.

Se o golpista entrar em contato com o banco dele pedindo a devolução dos recursos, o banco vai identificar imediatamente que os recursos já foram devolvidos e não transferirá novamente o valor.

Por fim, caso você utilize o celular como chave PIX, tome um cuidado especial. É mais fácil de o golpista entrar em contato com você, portanto atenção redobrada!

Se possível, use as chaves CPF e e-mail, ou ainda uma chave aleatória. Isso impedirá o golpista de entrar em contato com você.

Fonte: ABAC – |Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios