André Davi Martins é Tenente da Polícia Militar, escritor, professor de tiro e mediador de conflitos do Cejusc.
Chegamos ao mês de julho e com ele a data mais marcante do ano: O aniversário de nossa querida cidade.
Saímos de nossas casas todos os dias pra lá e pra cá, vamos ao banco, passamos pela praça, dirigimos pelas ruas principais, tudo normal. Parece que tudo sempre esteve lá, mas não é bem assim:
Fundada em 11 de Julho de 1937, já é uma jovem senhora com suas histórias e personagens. Profetizada como potência por Euclides da Cunha no início do século passado (“No vértice da confluência do caudaloso Paraná com o legendário Tietê, surgirá uma grande metrópole”) e Cora Coralina (que morou em Andradina entre 1940 e 1951), segue ligeira em direção ao futuro.
Na última década tivemos muitos progressos como a chegada do shopping, hotéis, faculdades com diversos cursos superiores e a construção de um parque aquático.
E pensar que tudo isso começou dentro da mente fértil e inquieta de um comerciante, que aprendeu a língua árabe quando jovem e fez fortuna comprando e vendendo café. Estou me referindo ao fundador Antônio Joaquim de Moura Andrade, que com visão além de seu tempo, conseguiu que se construísse um ramal ferroviário, a Variante, entre as estações de Araçatuba e Três Lagoas da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, que teve sua construção ordenada pelo presidente Getúlio Vargas. Às margens da “Variante”, foram criados vários povoados, que hoje são cidades.
O traçado antigo da linha da NOB, que chegou ao Rio Paraná em 1910 e ficou conhecido depois como Ramal Araçatuba – Lussanvira (atual Pereira Barreto), por ter sido construído muito próximo ao Rio Tietê, estava muito sujeito à malária e ficava longe das terras mais altas, mais adequadas para o plantio de café, o qual era transportado por ferrovia para o porto de Santos.
A Variante, seguindo direto de Araçatuba para a atual Andradina, passaria na Fazenda Guanabara seguindo em direção ao Mato Grosso do Sul.
Devidamente planejado, o novo povoado surgiu em 11 de julho de 1937, em terras da Fazenda Guanabara. Nesta data chegou o primeiro trem de ferro da Variante da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil.
Moura Andrade loteou, em pequenos sítios, parte da Fazenda Guanabara, para os pioneiros recém-chegados, (ao todo eram 6.000 famílias), sem exigir fiador ou entrada em dinheiro. Moura Andrade instalou luz elétrica movida a motor diesel. Quase todos os comércios da nova povoação pertenciam a ele no início, inclusive um Banco. Ele atraiu muitos comerciantes para a nova povoação, vendendo a preços baixos os lotes urbanos.
Cinco meses após ter sido formado o povoado, Andradina foi elevada à condição de Distrito de Paz de Valparaíso, em 10 de novembro de 1937.
Andradina ganhou autonomia administrativa em 30 de dezembro de 1938, quando foi desmembrada do município de Valparaíso e elevada à condição de município pelo interventor federal no Estado de São Paulo, Ademar de Barros.
A sede da prefeitura foi instalada onde hoje fica a escola Dr. Álvaro Guião. A posse do primeiro prefeito municipal, Evandro Brembati Calvoso, ocorreu em 10 de janeiro de 1939.
O município de Andradina foi desmembrado várias vezes perdendo parte de seu território para a formação dos novos municípios de Guaraçaí, Algodoal (atual Murutinga do Sul), Castilho e de Nova Independência. Andradina perdeu terras, em 1944, para a formação do Distrito de Gracianópolis (atual Tupi Paulista) pertencente a Lucélia, e para Mirandópolis.
Moura Andrade foi tão grande, tão gigante, que por muito tempo foi o maior criador de gado do Brasil, fundou um frigorífico, fundou uma empresa aérea e uma frota de aviões para transportar carne para fora do país (também era piloto e sobreviveu a pelo menos uma queda de seu avião). Trouxe da França o piloto Jean Bernard (que dá nome a uma avenida da cidade), para iniciar os voos. Fundou Nova Andradina/MS e Águas de São Pedro/SP. Foi amigo pessoal do rei do café à época, Geremia Lunardelli, de quem ganhou um livro com dedicatória, e juntos compraram um quadro do pintor Ticiano para o acervo do museu do MASP em São Paulo.
Um de seus filhos, Auro Soares de Moura Andrade, foi senador, presidente do Congresso e candidato a governador do estado de São Paulo. Era presidente do congresso quando Jânio Quadros renunciou em agosto de 1961. Declarou vago o cargo presidencial, uma vez que o vice-presidente João Goulart encontrava-se na China em viagem oficial. Neste curto período de transição, até dar posse a Ranieri Mazzili, ele foi de fato o presidente do país (fonte: Wikipédia).
Resumindo: nossa amada cidade nasceu grande, deu inestimáveis contribuições para o país, tem clima ameno e povo hospitaleiro. Possui, portanto, todas as condições necessárias para se tornar uma potência regional, bastando que nós, andradinenses, acreditemos nesse potencial e juntemos forças, unidos em prol desse objetivo comum.
Se um andradinense, que estivesse fora por dez anos, chegasse aqui hoje certamente se surpreenderia com tantas mudanças.
Deixo aqui um desafio: Que daqui dez anos sejamos surpreendidos mais uma vez pela pujança de nossa cidade menina. Quem acredita?