Enquanto menino de 6 anos lutava pela vida, médica negociava venda de cosméticos pela internet
A Polícia Civil do Amazonas concluiu que a morte do menino Benício Xavier de Freitas, de 6 anos, foi resultado de um erro médico considerado “grotesco”. A criança morreu após receber adrenalina por via intravenosa, quando o procedimento correto, segundo a investigação, seria por inalação.
Durante o momento crítico, enquanto Benício estava na “sala vermelha” — área destinada a pacientes em estado grave — a médica responsável pelo atendimento, Juliana Brasil, trocava mensagens vendendo cosméticos.
A conversa aconteceu cerca de uma hora e meia após a aplicação da adrenalina. No conteúdo encontrado no celular da médica, apreendido após o caso, ela negocia a venda com uma cliente:
— “Mas deixei por 190 pra você”, escreveu Juliana, após informar que o produto custava R$ 200.
A cliente então pede a forma de pagamento:
— “Me manda a chave Pix”
Na sequência, a médica envia os dados para a transferência. Após o pagamento, a cliente responde:
— “Maravilhosa e poderosa”
Juliana, então, reage com uma figurinha acompanhada de emojis de coração.
Segundo o delegado responsável pelo caso, as mensagens indicam total indiferença diante da gravidade da situação.
Enquanto isso, Benício apresentava dificuldades respiratórias e era atendido por outros profissionais de saúde.
A investigação apontou que a criança sofreu uma overdose de adrenalina, e que o quadro se tornou irreversível. Peritos descartaram falhas na intubação ou na atuação da equipe da UTI.
Além disso, a polícia afirma que a médica tentou manipular provas ao apresentar um vídeo à Justiça, alegando uma falha no sistema do hospital. No entanto, mensagens encontradas em seu celular levantaram suspeitas sobre a autenticidade do material:
— “Ofereci dinheiro para ela filmar. KKK. Ela disse que vai tentar”
Para a polícia, o conteúdo reforça a hipótese de tentativa de fraude processual.
A técnica de enfermagem que aplicou a medicação, Raíza Bentes, também foi indiciada por homicídio doloso com dolo eventual. Segundo depoimentos, ela teria sido orientada a realizar o procedimento por inalação, mas decidiu seguir a prescrição médica e aplicou a substância diretamente na veia.
A médica Juliana Brasil foi indiciada por homicídio doloso com dolo eventual, além de fraude processual e falsidade ideológica, por se apresentar como pediatra sem possuir especialização na área.
Dois diretores do hospital também foram indiciados por homicídio culposo, após a investigação apontar falhas estruturais, como a ausência de profissionais suficientes e de um farmacêutico para revisar a prescrição.
Benício havia sido internado com suspeita de laringite. Durante o atendimento, sofreu seis paradas cardíacas. Ele foi reanimado cinco vezes, mas não resistiu.
Fonte: Jornal do Povo