22 de abril de 2026

Modelo de trevo eficiente em Paranápolis, na Rondon, contrasta com projeto do “novo” trevo da Integração

Modelo de trevo eficiente em Paranápolis, na Rondon, contrasta com projeto do “novo” trevo da Integração

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“Não basta duplicar: é preciso compreender o território que sustenta a cidade”

A rotatória implantada na Rodovia Marechal Rondon, no patrimônio de Paranápólis, consolidou-se como um exemplo de engenharia viária eficiente, onde a fluidez do tráfego se harmoniza com a segurança dos usuários. Trata-se de um dispositivo que, ao longo do tempo, demonstrou na prática aquilo que os melhores projetos buscam: reduzir conflitos, organizar acessos e praticamente eliminar registros de acidentes relevantes, mesmo em uma rodovia de grande circulação.

Em contraponto, o cenário observado na confluência da Rodovia da Integração (SP-563) com a Avenida Rio Grande do Sul, em Andradina, revela uma realidade distinta — não pela incapacidade estrutural do local, mas pela ausência de um modelo viário que dialogue com a intensidade econômica e o volume de tráfego ali concentrados.

A comparação entre os dois pontos evidencia uma disparidade significativa: enquanto a rotatória da Marechal Rondon atende com eficiência um fluxo considerável, porém mais homogêneo, o eixo Integração–Rio Grande do Sul concentra um movimento diário muito superior, impulsionado por uma cadeia econômica robusta e diversificada.

Ali se encontram postos de combustíveis, restaurantes, mercados, barbearias, oficinas, borracharias, depósitos de materiais de construção, transportadoras e uma série de serviços voltados, sobretudo, ao atendimento de caminhoneiros e viajantes — um verdadeiro corredor logístico e comercial.

Esse dinamismo econômico se traduz em números expressivos. Estima-se que dezenas de empresas instaladas no entorno da rodovia e da avenida sejam responsáveis pela geração de centenas de empregos diretos e indiretos, além de uma arrecadação significativa de tributos municipais, especialmente o ISS. Trata-se de um polo que não apenas sustenta famílias, mas também contribui de forma decisiva para o equilíbrio financeiro do município. Ou seja, a arrecadação seria suficiente para construção de vários viadutos ao longo do ano.

Diante desse contexto, qualquer intervenção viária que desconsidere a lógica de acesso e circulação existente pode provocar impactos que vão além do trânsito, atingindo diretamente o coração econômico da região. A eventual supressão de acessos diretos, aliada à obrigatoriedade de retornos distantes, tende a desestimular o fluxo espontâneo de clientes, especialmente no segmento de transporte rodoviário, onde tempo e praticidade são fatores determinantes.

É nesse ponto que o modelo adotado na Marechal Rondon surge como referência concreta e viável. A implantação de um dispositivo semelhante — uma rotatória moderna, dimensionada para o alto volume de veículos — poderia conciliar os objetivos da duplicação com a preservação da atividade econômica local. Mais do que uma solução técnica, trata-se de uma escolha estratégica: promover o desenvolvimento sem comprometer aquilo que já funciona e gera resultados.

O desafio, portanto, não está em optar entre progresso e tradição, mas em integrá-los com inteligência. Andradina não pode correr o risco de substituir um sistema funcional por um modelo que, embora tecnicamente concebido, desconsidere as particularidades socioeconômicas do seu território.

Ao olhar para o exemplo de Paranápólis, fica evidente que soluções eficientes já existem dentro da própria malha rodoviária regional. Cabe agora aos órgãos responsáveis, como o DER, avaliar com sensibilidade e responsabilidade a adoção de alternativas que garantam não apenas a fluidez do tráfego, mas também a continuidade de um ecossistema econômico que sustenta empregos, arrecadação e desenvolvimento.

Porque, no fim, uma obra viária não deve apenas encurtar caminhos — deve também preservar destinos.

Fonte: Consorcio de Jornalistas de Andradina